Site reúne videoaulas legendadas de universidades do exterior

Rafael Targino
Do UOL, em São Paulo

Não é preciso mais ir aos Estados Unidos para ver uma aula do MIT (Massachusetts Institut Of Technology), à Austrália para assistir a uma da University of New South Wales ou mesmo a São Paulo para outra da USP (Universidade de São Paulo). Um projeto está reunindo conteúdo dessas e de outras universidades de relevância num único site, com legendas e de graça: o Veduca.

Já são mais de 5.000 videoaulas cadastradas de pelo menos 13 universidades –em sua maioria, americanas, o que implica dizer que boa parte delas são em inglês. Para tentar resolver o problema, existe um sistema de legendagem colaborativa, em que voluntários traduzem e sobem as legendas sem receber pagamento por isso. Já são 214 os vídeos traduzidos.

A ideia do site foi do engenheiro aeronáutico Carlos Souza, que reuniu mais três sócios e começou a tocar a página. “Saí no início do ano passado para um período sabático e fui estudar modelos de negócio que estavam bombando nos EUA. Nesses estudos, encontrei o movimento de open course [cursos abertos]”, diz.

Os vídeos estão disponíveis em um sistema que permite que eles sejam copiados e distribuídos livremente. O que Souza fez foi juntá-los no mesmo lugar. “Nós já batemos mais de meio milhão de visitantes em seis meses sem gastar um centavo com publicidade”, afirma.

Universidades brasileiras

Reprodução
A USP (Universidade de São Paulo) e a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) também têm projetos semelhantes. Recentemente, a USP lançou o e-Aulas, que reúne mais de 800 vídeos com aulas de professores da instituição. O site é dividido por áreas de estudo e deve ganhar mais 1.500 videoaulas. Já a universidade de Campinas tem o Unicamp Opencourseware, que reúne materiais didáticos de disciplinas da graduação.

Mas, como ganhar dinheiro com esse modelo? Publicidade e venda de livros e cursos. “Tenho negado propostas de anúncios publicitários, pois quero que o primeiro anunciante seja uma marca muito grande. Uma segunda parte do modelo de negócios é a venda de livros, que já está no ar. Daqui a seis meses ou um ano vamos começar com venda de cursos. Não era o objetivo principal, mas houve pedidos”, conta.

Legendagem

Os legendadores trabalham em esquema de voluntariado: alguém que está com um inglês mais afiado pega um dos vídeos, transcreve-o para português e sobe a legenda.

“Comecei a assistir os vídeos de cálculo pelo site. Por gostar muito do conteúdo oferecido, o divulguei para todos que conhecia”, conta Igor Mossinato, um dos voluntários. “Muitos dos meus amigos não dominavam o inglês a ponto de conseguir acompanhar as aulas. Decidi então, usar o meu tempo livre para contribuir com o site e usar essa experiência para aperfeiçoar meu inglês”, afirma ele, que é graduado em física pela UFSCar (Universidade Federal de São Carlos).

Outro dos legendadores, o estudante de pós-graduação Vinicius Martins, de Brasília, diz que achou cursos de sua área (matemática) e, como é difícil encontrar “qualquer material” sobre o assunto em português, resolveu tentar fazer as legendas.

“Ainda não terminei de traduzir uma aula completa, mas posso dizer que essa primeira aula que estou traduzindo já está um pouco complicada. Entendo o inglês e os termos matemáticos que o professor usa, mas não é a toa que pessoas trabalham legendando. É difícil passar para texto uma aula inteira em linguagem oral, encontrar um equivalente em português para cada termo, expressão”, afirma.



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