Em caso de desastre natural

Lucila Cano

Lucila Cano

No final de junho, a cidade de Monte Sião (MG) presenciou um lançamento nada convencional, em decorrência da iniciativa assistencial de uma instituição religiosa. A ADRA Brasil – Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais inaugurou uma carreta de 45m² de área útil, que terá por finalidade socorrer populações afetadas por desastres naturais.

Muitos projetos de ONGs, apoiados por empresas patrocinadoras, já investiram em carretas para levar orientação e cuidados básicos, principalmente da área de Saúde, a moradores de diversas partes do país. Graças à mobilidade, projetos podem ser agilizados e ampliados, para o pronto atendimento a populações desprovidas de recursos. No caso de desastres naturais, tudo indica que a proposta de uma carreta devidamente equipada é auxílio indispensável, que vem para ficar.

Extensão dos desastres

Segundo divulgação da Truckvan, empresa responsável pela carreta, entre 1995 e 2015, o Brasil foi o único país das Américas a integrar uma lista de 10 países com maior número de pessoas afetadas por desastres. A informação foi pautada em relatório do Escritório das Nações Unidas para a Redução de Desastres (UNISDR) e do Centro de Pesquisas de Epidemiologia em Desastres (Cred).

De acordo com o informe, nesse período de duas décadas 51 milhões de brasileiros foram atingidos por catástrofes. Mais de um em cada cinco municípios do país passaram por situação de emergência, ou calamidade pública, reconhecida pelo governo federal em 2015.

Outra fonte citada na divulgação da Truckvan é o chefe do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad), Rafael Schadeck. Diz ele que a ocorrência de desastres naturais no Brasil aumentou 268% na década de 2000, em comparação com a década anterior, sendo que os principais desastres com aumento de incidência e que mais geram vítimas fatais são as inundações e os movimentos de massa. Por movimento de massa entenda-se deslizamento, como o desbarrancamento de encostas ou, em tragédia mais recente, o rompimento da barragem de detritos de minérios no distrito de Bento Rodrigues (MG).

Atenção humanitária

De modo a servir às ações humanitárias da ADRA Brasil, a carreta foi projetada para operar em três compartimentos. O primeiro deles será utilizado para o preparo de alimentação quente e está equipado para oferecer 15 mil refeições rápidas por dia.

O segundo compartimento é destinado para a lavagem e secagem de roupas e tem capacidade para atender 64 famílias por dia. Assim como os alimentos são essenciais para o amparo a vítimas de desastres, roupa seca e limpa também é item de primeira necessidade. Muitas vezes, as pessoas afetadas por inundações e temporais perdem todos os seus bens materiais em segundos. As poucas roupas que lhes restam podem estar molhadas e enlameadas.

Já o terceiro espaço da carreta foi idealizado para os cuidados com a saúde emocional. As reações emocionais aos desastres são muito diferentes de pessoa para pessoa. Todas são afetadas, sem dúvida, mas há pessoas que se desestabilizam mais e precisam de apoio profissional para superar situações difíceis, de perda de entes próximos, inclusive. Assim, o compartimento da saúde emocional contará com profissionais voluntários, orientados e com experiência em aconselhamento para atender, em média, 10 famílias por dia.

Com esse rol de bons propósitos, e depois do lançamento em Minas, a carreta humanitária terá por base o campus Engenheiro Coelho do Unasp, o Centro Universitário Adventista de São Paulo, a 160 km da capital paulista. A partir desse endereço, a carreta estará disponível para cobrir emergências em todo o território nacional.

A parceria da ADRA Brasil com a Truckvan, fabricante que lidera o mercado de diferentes soluções sobre rodas, é mais um bom exemplo da união de esforços de instituições e empresas em nome da solidariedade.

* Homenagem a Engel Paschoal (7/11/1945 a 31/3/2010), jornalista e escritor, criador desta coluna.

Lucila Cano

Colunista especialista em temas relacionados ao 3º setor; assumiu a coluna em 9/4/2010.

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