Artes

Bienal: Exposição internacional revela novos artistas

Valéria Peixoto de Alencar*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

  • UOL

    Fachada do Pavilhão Ciccillo Matarazo, que abriga a Bienal de Arte de São Paulo

A cada dois anos, em algumas importantes cidades do mundo, acontecem exposições dedicadas à arte, que recebem o nome de bienais. No Brasil, em São Paulo, teremos, em outubro de 2008, a 28a Bienal de São Paulo, no Parque do Ibirapuera. O evento acontece periodicamente no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, também chamado Pavilhão da Bienal, inaugurado em 1953.

Para que serve a Bienal?

A primeira Bienal Internacional de São Paulo aconteceu em outubro de 1951, na esplanada do Trianon (onde hoje fica o Museu de Arte de São Paulo - MASP).

Essa exposição foi idealizada por Francisco Matarazzo Sobrinho (Ciccillo Matarazzo) e sua esposa, Yolanda Penteado, fomentadores da arte moderna no Brasil. Inspirados no modelo da tradicional Bienal Internacional de Veneza, Ciccillo e Yolanda realizaram em São Paulo a primeira grande exposição de arte moderna fora dos centros internacionais europeus e norte-americanos.

Cicillo é considerado um dos mecenas (indivíduo rico que protege artistas, homens de letras ou de ciências, proporcionando recursos financeiros, ou que patrocina, de modo geral, um campo do saber ou das artes) que impulsionou as artes no Brasil no período imediatamente posterior ao da Segunda Guerra Mundial. Além da Bienal, ele fundou o Museu de Arte Moderna (MAM) e colaborou com a criação do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC).

A Bienal serviu, e continua servindo, para projetar a obra de artistas internacionais desconhecidos e refletir as tendências mais marcantes no cenário artístico global.

 

Algumas edições da Bienal

A Bienal de 1951 foi a primeira exposição que trouxe ao Brasil obras de Pablo Picasso, Alberto Giacometti e René Magritte. Também foram apresentados trabalhos de brasileiros, como: Lasar Segall, Victor Brecheret e Oswaldo Goeldi. Foram concedidos prêmios à escultura Unidade tripartida, de Max Bill, e à tela Formas, de Ivan Serpa, o que demonstra a atenção que vinha sendo despertada para o concretismo na arte.



A edição de 1953 ficou conhecida também como a "Bienal da Guernica", em referência a um dos mais famosos quadros de Pablo Picasso, que pôde ser visto pela primeira vez no Brasil.

Nos anos 50, ainda, a Bienal contou com a presença dos trabalhos dos muralistas mexicanos (1955), do surrealismo e de Jackson Pollock (1957), e do tachismo (1959).

Durante o regime militar, as bienais (no período de 1965 a 1973) sofreram com a censura e os boicotes. Em 1969, ocasião da 10a Bienal, a oposição de diversos artistas à ditadura militar ganhou expressão ampliada: eles assinaram o Manifesto não à ditadura, no Museu de Arte Moderna de Paris.

Nos final dos anos 70 e durante a década de 1980 as bienais foram marcadas por inovações na maneira de expor os trabalhos. A partir da década de 1990, as bienais são organizadas com base em grandes temas, por exemplo: "Ruptura com o suporte" (1994), "Antropofagia" (1998), ou "Como viver junto" (2006).

Para que o objetivo da Bienal (projetar artistas contemporâneos) não se perca, é possível ao curador (quem idealiza e organiza a mostra), pesquisar nomes de artistas significativos em diversas partes do mundo e convidá-los a participar da Bienal.

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    O interior do Pavilhão da Bienal, com as curvas características da obra arqitetônica de seu autor, Oscar Niemeyer

Valéria Peixoto de Alencar*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação *Valéria Peixoto de Alencar é historiadora formada pela USP e Mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp. É uma das autoras do livro Arte-educação: experiências, questões e possibilidades (Editora Expressão e Arte).

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