Topo

Força Expedicionária Brasileira - brasileiros lutaram na 2ª Guerra

Vitor Amorim de Angelo, especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Material atualizado em 25/07/2013, às 12h41

O Brasil teve uma participação efetiva na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) com o envio, para os campos de batalha, de uma força militar conhecida como Força Expedicionária Brasileira (FEB). Este grupo, que no total chegou a reunir cerca de 25 mil homens, participou, junto com os Aliados (Estados Unidos, Inglaterra e União Soviética), de combates na Itália travados contra países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão).

A FEB foi organizada oficialmente em agosto de 1943, embora o Brasil tivesse declarado apoio aos Aliados em janeiro do ano anterior. Nesse meio tempo, vários oficiais brasileiros foram enviados aos Estados Unidos para cumprir treinamentos militares naquele país. Na Itália, as tropas da FEB se juntaram ao 5º Exército norte-americano, e este, por sua vez, ao 10º Grupo de Exércitos Aliados.

Mas a chegada da FEB aos campos de batalha aconteceu apenas em julho de 1944. Portanto, já num momento de inflexão do conflito, que até então parecia estar sob controle do Eixo. O principal objetivo da missão brasileira era reforçar o contingente dos Aliados no combate às tropas do Eixo estacionadas na Itália, no intuito de impedi-las de se unirem às forças inimigas que ocupavam a França. A libertação francesa pelos Aliados, inclusive, foi um dos pontos altos dessa virada na Segunda Guerra Mundial.

Principais combates na Itália

Na Itália, a Força Expedicionária Brasileira teve uma participação efetiva no combate às tropas do Eixo, numa campanha iniciada poucas semanas após o desembarque na Europa. O primeiro combate da FEB ocorreu durante o outono europeu, quando, no vale do rio Serchio, na região da Toscana, militares brasileiros ajudaram na tomada de Massarosa, Camaiore e Monte Prano.

Foi numa outra frente, contudo, na região da Emília Romanha, que a FEB obteve seus resultados mais expressivos: a conquista das comunas de Monte Castello e Montese e o cerco a uma divisão militar do Eixo. Esse local era importante pois, de lá, as tropas inimigas impediam o avanço dos Aliados em direção ao norte da Itália. Após alguns combates diretos, os brasileiros finalmente conseguiram dominar o local, de onde seguiram rumo a Gênova, já próximo à fronteira com a França.

Naquela região, a FEB ainda travou mais alguns combates com militares do Eixo antes de conseguir sua rendição. Ainda nos primeiros meses de 1945, os Aliados conquistaram outras comunas italianas. Quanto à FEB, ainda marchou até Turim e, em seguida, até Susa, onde se juntou às tropas francesas estacionadas na região.

Interesses na organização da FEB

A vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial consolidou uma visão da história que supervalorizou a participação da FEB no conflito e ocultou os interesses envolvidos na formação da Força Expedicionária Brasileira. O sucesso das incursões brasileiras e as baixas sofridas no front - mais de 450 - só ajudaram a consolidar a imagem de um exército forte que foi para a Europa auxiliar na libertação da Europa do nazifacismo.

Internamente, contudo, havia pelo menos dois interesses claros do governo Getúlio Vargas na formação da FEB e em seu envio para o campo de batalha. De um lado, consolidar o Brasil como uma nação militarmente importante na América do Sul. De outro, garantir ao país uma posição de destaque no cenário internacional. Com o primeiro, Vargas pensava poder obter o apoio militar a seu governo. Com o segundo, assegurar o papel de aliado privilegiado dos Estados Unidos.

Embora o governo norte-americano tivesse pressionado Vargas a ceder bases no Nordeste e em Fernando de Noronha para tropas Aliadas (o que contribuiu para que o Brasil declarasse guerra ao Eixo, em janeiro de 1942), o fato é que as vitórias dos Aliados no norte da África, em novembro daquele ano, diminuíram a importância estratégica do Brasil. Daí em diante, se o país entrou de fato no conflito, foi em boa medida resultado da insistência do governo brasileiro.

O curioso é que a participação da FEB explicitou algumas contradições políticas. O Brasil combatia o nazifascismo no exterior quando, internamente, Vargas flertava com tais ideias. A FEB lutava pelo restabelecimento da democracia nos territórios ocupados na Europa quando, no Brasil, havia uma ditadura.

Repetindo o que tinha acontecido no Paraguai ainda no século 19, o envolvimento do Brasil num conflito internacional revelou as contradições da política nacional e ensejou mudanças importantes internamente.