História do Brasil

Inconfidência mineira: Conjuração baiana foi mais significativa, segundo historiador

Antonio Carlos Olivieri

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

A Inconfidência mineira não foi o único movimento que pleiteou a emancipação de parte do território brasileiro durante o período colonial. Segundo o historiador Marco Antonio Villa, professor da Universidade Federal de São Carlos, não foi nem mesmo o mais importante.

Para ele, “tem muito mais significado a Conjuração baiana, de 1798, uma vez que essa, em termos de rebelião no período colonial, foi muito mais abrangente em seus objetivos políticos e contou com ampla participação popular”.

Villa leva em conta que, em Minas Gerais, os inconfidentes eram essencialmente um grupo formado pela elite local: intelectuais, religiosos, militares e fazendeiros. De resto, pode-se quando muito especular se a revolta contaria com a adesão popular, caso tivesse sido deflagrada, o que a denúncia de Joaquim Silvério dos Reis abortou.

Mito republicano

O historiador é particularmente crítico quanto à figura de Tiradente consagrada pela historiografia tradicional. “A ideia de um herói, do mártir da independência, é um mito difundido pelo primeiro governo republicano”, ele declara.

Segundo ele, “a República recém implantada precisava criar seus heróis e Tiradentes se prestava bem ao papel, pelas circunstâncias trágicas de sua morte e pelas ideias republicanas dos inconfidentes”.

“É importante destacar que as ideias não são de Tiradentes”, esclarece Villa. Para o estudioso, “tudo que se sabe sobre Tiradentes vem dos ‘Autos da Devassa’, onde há muito pouco sobre o personagem, praticamente um inventário de seus bens; não há nada ali que possibilite estabelecer seu pensamento, nem traçar o perfil de um líder político”.

Revolução pernambucana

Para se ter uma ideia, o historiador faz uma comparação com outro personagem histórico, Frei Caneca, um dos líderes da Revolução pernambucana de 1817: “O historiador Evaldo Cabral de Mello reuniu os textos de Frei Caneca e publicou um volume de 600 páginas. De Tiradentes, não há uma linha”.

Em função dessas declarações, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais acabou por votar uma moção considerando o historiador persona non grata no estado – o que evidencia que a pesquisa do passado ainda é capaz de suscitar polêmica no presente.

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