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Unificação alemã - Bismarck foi o cérebro da unificação

Vitor Amorim de Angelo

Assim como a Itália, a Alemanha ao foi outro país europeu que se unificou tardiamente. E, à semelhança do caso italiano, a origem dos conflitos políticos e sociais que tiveram lugar na atual Alemanha ao longo do século 19 pode ser identificada no Congresso de Viena.

Em 1815, após a derrota do imperador francês Napoleão Bonaparte, decidiu-se que o antigo território pertencente ao Sacro Império Romano-Germânico até a expansão napoleônica seria reagrupado sob o nome de Confederação Germânica.

Essa Confederação era composta por quase quarenta estados, entre reinos, ducados e cidades. Dentre eles, os mais importantes eram o reino da Prússia, governada pela dinastia dos Hohenzollern, e o Império da Áustria, governado pela casa de Habsburgos.

A Prússia era o estado mais industrializado da Confederação Germânica - em contraste com a Áustria, cuja economia era marcadamente agrícola - e sua maior potência militar. Sob a influência prussiana foi criada, nos anos 1830, uma política de livre circulação de mercadorias na região. A Zollverein, como era chamada, excluiu a Áustria e teve consequências diretas para o desenvolvimento econômico registrado nas décadas seguintes.

A influência da Primavera dos Povos

Uma primeira tentativa de unificação ocorreu em meados no século 19, por influência da chamada Primavera dos Povos - nome pelo qual são designados os movimentos revolucionários que ocorreram em 1848 por toda a Europa.

Recorde-se que o Congresso de Viena representou o retorno de monarquias centralizadoras em muitos pontos da Europa, como na Áustria. Paralelamente, o processo de industrialização fortalecera a burguesia e, pela crescente exploração da força de trabalho, colocara os operários em difíceis condições de vida. Foi assim, portanto, que camadas sociais tão díspares se uniram para a derrubada das monarquias europeias.

Na Confederação Germânica, movimentos radicalizados exigiram sufrágio universal, a convocação de Assembleia Constituinte, a aprovação de novas cartas magnas e o fim do poder centralizado dos monarcas - quando não o fim da própria monarquia. Tudo isso envolto por um forte sentimento nacionalista e pelo desejo de, no curso daquele processo, unificar todos os estados num só país: a Alemanha.

Mas o impasse político surgido na Prússia e a inflexão da burguesia na Áustria - que, temerosa, mudou de posição, passando a apoiar o rei - deu novo ânimo às monarquias e inviabilizou a unificação.

Bismark e a formação da Alemanha

A partir daí, ocorreram duas mudanças importantes: em primeiro lugar, os esforços para a unificação passaram a vir sobretudo da Prússia, com a exclusão da Áustria; em segundo lugar, em contraste com as tentativas iniciais, esse segundo momento ficou marcado pelas ações a partir do alto, operadas diretamente pelos que ocupavam o aparelho de Estado, e não mais por movimentos sociais que incluíssem os operários e a pequena-burguesia, por exemplo.

Na Prússia, em particular, a burguesia industrial passou a apoiar fortelemente a unificação. Para ela, assim como foi para a burguesia do norte italiano, o apoio a um governo forte era visto como meio de desenvolver mais rapidamente o capitalismo.

Depois de 1862, esse governo forte, na Prússia, foi representado pelo rei Guilherme 1º. Naquele ano, ao assumir o trono, Guilherme 1º nomeou Otto von Bismarck para o cargo de primeiro-ministro. Bismarck entrou para a história como o grande nome da unificação alemã. Todos os seus esforços foram no sentido de criar um só país. Internamente, fez alianças com a burguesia industrial e os grandes proprietários de terra. No exterior, apostou na estratégia do confronto militar. Em 7 anos, foram 3 guerras.

Guerras contra Dinamarca, Áustria e França

Em 1864, Bismarck declarou guerra à Dinamarca, com o apoio do Império da Áustria. A vitória no conflito, conhecido como Guerra dos Ducados, garantiu a esses dois estados a posse dos territórios de Schleswig e Holstein.

Mas, logo em seguida, em razão de divergências quanto à administração dos ducados, Prússia e Áustria iniciaram um novo conflito, conhecido como Guerra Austro-Prussiana.

Embora contasse com o apoio de outros estados da Confederação Germânica, a Áustria perdeu o conflito. De um lado, pesou a falta de apoio internacional ao império austríaco. De outro, a entrada da Itália no conflito, interessada em tomar Veneza da Áustria - o que acabou ocorrendo de fato.

O acordo de paz selado ao final da guerra dissolveu a Confederação, garantiu novos territórios à Prussia e excluiu a Áustria do processo de unificação alemão.

Mas um último e grande conflito encerraria a história da formação da Alemanha: a Guerra Franco-Prussiana. Franceses e alemães há tempos nutriam um clima hostil em suas relações. A expansão prussiana só fez aumentar as tensões políticas na região.

O ápice desse processo aconteceu em 1868, quando o trono espanhol foi oferecido a um membro da casa de Hohenzollern, primo de Guilherme 1º. A França imediatamente se colocou contra, temendo o crescimento da influência prussiana sobre a Europa. Do outro lado, com sua estratégia belicosa, Bismarck ansiava pelo conflito com os franceses, que dificultavam a unificação.

A guerra, declarada por Napoleão 3º, durou de 1870 a 1871. Com o avanço das tropas prussianas sobre o território francês e a captura do imperador, a vitória parecia estar garantida. Mas um governo provisório de resistência, incluindo camadas populares, foi formado em Paris, em setembro de 1870. Ao final, Napoleão 3º capitulou diante da Prússia e, com seu auxílio, reprimiu duramente o breve governo operário constituído na capital francesa, chamado de Comuna de Paris.

A unificação alemã se completou em janeiro de 1871, quando, no Palácio de Versalhes, antiga sede da monarquia francesa, Guilherme 1º foi coroado o primeiro kaiser da Alemanha unificada. O tratado que encerrou a guerra, porém, seria assinado apenas em maio de 1871.

Vitor Amorim de Angelo é historiador, mestre e doutorando em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Carlos. Atualmente é pesquisador do Institut d'Études Politiques de Paris.

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