Enem

Nota do Enem abre portas para brasileiros em 22 universidades de Portugal

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

  • Arquivo pessoal

    Tom Barreto, 21, em frente à Universidade de Coimbra, onde entrou com a nota do Enem

    Tom Barreto, 21, em frente à Universidade de Coimbra, onde entrou com a nota do Enem

Experiência cultural, oportunidades diferentes, concorrência menor por vagas e taxas relativamente baratas. Esses são alguns dos motivos que têm levado estudantes brasileiros a fazer uma graduação do outro lado do oceano, em Portugal.

"Foi uma questão de oportunidade, a ideia de poder estar em contato direto com a Europa, ter a possibilidade de fazer intercâmbios por aqui", afirma Tom Barreto, 21, que cursa licenciatura em Estudos Artísticos na Universidade de Coimbra.

Rodrigo Leonardi, 17, acaba de ser aprovado nas universidades do Porto e do Minho. Ele aproveitou que sua mãe decidiu se mudar para Portugal para tentar uma vaga por lá. "Além de ser uma oportunidade única, acabei descobrindo que passar em uma faculdade de ponta em Portugal seria bem menos concorrido do que aqui no Brasil", conta.

Arquivo pessoal
Rodrigo Leonardi, 17, foi aprovado nas universidades do Porto e do Minho

As próprias universidades portuguesas reconhecem que a procura de alunos brasileiros por uma vaga em terras lusitanas aumentou muito nos últimos anos, principalmente desde que foi firmado um acordo entre Brasil e Portugal, em 2014, possibilitando que as instituições de lá passassem a aceitar a nota do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) como forma de seleção para candidatos brasileiros.

Só na Universidade do Algarve, a segunda instituição portuguesa a aceitar a nota do Enem, o número de estudantes brasileiros passou de 50, em 2015, para 187, em 2016. Neste ano, 133 candidatos brasileiros foram aceitos até o momento --como ainda há outras fases de inscrição, o número deve aumentar. No Instituto Politécnico da Guarda, que aderiu ao acordo no fim de 2015, o número passou de 50, em 2016, para mais de 70 aprovados apenas na 1ª fase de inscrições deste ano.

Para Maria Inês Fini, presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira), o acordo representa uma "valorização do trabalho brasileiro". "Portugal procurou o Brasil porque eles acompanham o nosso exame e acharam interessante usar o resultado como forma de acesso às universidades portuguesas", conta Fini. "Eles mesmos avaliam que o desempenho dos alunos brasileiros é muito bom", acrescenta.

Inscrições, critérios e visto

Cada instituição de ensino portuguesa adota seus próprios critérios e exigências com relação à nota do Enem, bem como a data de abertura das inscrições. Em geral, as universidades adotam três fases de inscrição, o que pode variar de acordo com o número de vagas remanescentes.

"Esse é um fator que complica a candidatura: você tem que olhar universidade por universidade para ver qual é o calendário de cada uma", afirma Rodrigo.

Tanto Rodrigo quanto Tom destacam, no entanto, que a documentação necessária para a candidatura é relativamente simples: em geral, é preciso apresentar o certificado de conclusão do ensino médio, o resultado do Enem e o passaporte, todos autenticados via Convenção de Haia.

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A Universidade do Algarve, em Portugal, foi uma das primeiras a aceitar a nota do Enem

"O processo de candidatura foi tranquilo em geral, tudo é acompanhado diretamente pela internet. As dificuldades são mais frequentes no processo de obtenção do visto, que tem uma grande sequência de burocracias. Fora isso, é muito direto e objetivo", afirma Tom.

Rodrigo ainda dá a dica: "leia com cuidado as instruções de candidatura. Elas variam também, de universidade para universidade e de curso para curso. Muita gente faz a candidatura incompleta e é desclassificada".

Qualidade e custo

Apesar de públicas, as universidades portuguesas são pagas –e alunos internacionais pagam um pouco mais caro do que alunos portugueses. Mesmo assim, as anuidades, conhecidas como "propinas", têm um preço equivalente ou até menor do que o praticado pelas universidades privadas no Brasil. Os valores variam conforme os cursos e as instituições, ficando entre 3 mil e 7 mil euros por ano. Há ainda uma cobrança por taxa de candidatura, que varia entre 65 e 100 euros.

Algumas universidades ainda dão descontos para alunos que vêm de países que participam da comunidade dos países de língua portuguesa, como é o caso do Brasil. "Na Universidade do Porto, por conta desse desconto, a propina anual para o Rodrigo ficou em 1.500 euros por ano", conta Suzana Leonardi, mãe do jovem.

A qualidade do ensino é outro fator a ser considerado. No ranking da QS (Quacquarelli Symonds), as principais universidades portuguesas, como a Universidade do Porto e a Universidade de Lisboa, aparecem entre as 350 melhores instituições avaliadas (de um total de 916).

No Brasil, as únicas universidades públicas a ocuparem posições entre as 200 melhores avaliadas são a USP (Universidade de São Paulo) e a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), que ficam em 120º e 191º na lista. A UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), por exemplo, ocupa o posto de número 321.

Tom, que está no 2º semestre do segundo ano do curso em Portugal, destaca que as universidades lusitanas possuem "uma vertente teórica bem forte", além de um sistema de ensino diferente do brasileiro –o que pode não agradar a todos. No ensino universitário, há a opção de se fazer apenas o 1º ciclo de estudos, que são os 3 anos de licenciatura, ou continuar o 2º ciclo de estudos, com dois ou três anos de mestrado. Nos ensinos técnico e politécnico, os cursos variam de 2 a 3 anos de duração.

"Creio eu que o que motiva a vinda dos brasileiros para cá são, em maioria, razões mais ligadas a oportunidades", afirma.

Expansão dos convênios

Só nos últimos 6 meses, o número de universidades portuguesas que aceitam o Enem passou de 17 para 22. Segundo Maria Inês, a previsão é de que esse número siga aumentando.

"Cada vez que vem uma delegação oficial portuguesa para assinar o termo de convênio eles nos dizem de outras interessadas, então nós acreditamos que esse número vá aumentar", afirma.

Ela ainda destaca que o Inep "está aberto" a propostas de outros países e que a pasta deve reformular o acordo feito com Portugal. "Estamos pensando em um acordo estruturado, que possa atender mais universidades portuguesas", explica.

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Veja, a seguir, quais são as universidades portuguesas que aceitam o Enem e o que fazer para se inscrever:

UC/Sérgio Brito
UC/Sérgio Brito

Universidade de Coimbra

A Universidade de Coimbra aceita candidaturas de estudantes brasileiros que fizerem o Enem em 2017 ou que o tenham feito nos últimos 3 anos (2016, 2015 ou 2014) e que tenham diploma do ensino médio.

O período de candidatura é dividido em 3 fases, com a última delas aberta entre os dias 10 e 30 de junho.

Dúvidas podem ser esclarecidas com o Núcleo de Candidaturas do Serviço de Gestão Académica da UC, através do e-mail candidaturas-internacionais@uc.pt.
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Universidade do Algarve

Exige um mínimo de 500 pontos na prova de redação e pelo menos 475 pontos em cada uma das provas restantes. A anuidade para o ano letivo de 2017/18 varia entre 2.000 e 3.500 euros, podendo ser paga em até 8 parcelas.

Os candidatos com as melhores classificações podem receber o benefício da anuidade reduzida, no valor de 1.100 euros.

A terceira e última fase de candidaturas estará aberta de 8 de maio a 9 de junho. Dúvidas podem ser esclarecidas através do e-mail internacional@ualg.pt.
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Wikimedia Commons
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Instituto Politécnico de Leiria

Aceita candidaturas de estudantes brasileiros que tenham feito o Enem nos últimos cinco anos e que tenham diploma do ensino médio. As notas do Enem têm pesos diferentes para cada curso.

A primeira fase de candidaturas se encerra no dia 21 de abril. Já a segunda e a terceira fases estarão abertas entre os dias 13 de maio a 30 de junho e 17 de julho a 6 de setembro.

Dúvidas podem ser esclarecidas através do e-mail gmci@ipleiria.pt.
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Instituto Politécnico de Beja

O IPBeja aceita candidaturas de estudantes brasileiros que tenham feito o Enem nos últimos três anos e que possuam o diploma do ensino médio. As notas do Enem são convertidas para o sistema de classificação português.

A segunda fase de inscrições começou no dia 3 de abril e vai até 26 de maio. Já a terceira fase tem início em 9 de junho e encerra no dia 29 de setembro.

Dúvidas podem ser esclarecidas através do e-mail acesso.ensino.superior@ipbeja.pt.
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Reprodução/Facebook Universidade-da-Madeira
Reprodução/Facebook Universidade-da-Madeira

Universidade da Madeira

A UMa aceita candidaturas de estudantes brasileiros que fizeram o Enem em 2016 ou que o tenham feito nos três anos anteriores (2015, 2014 ou 2013) e que tenham diploma do ensino médio.

As notas do Enem têm pesos diferentes para cada curso e é feita uma conversão para a escala de notas portuguesa.

As inscrições para o ano letivo 2017/2018 já estão encerradas. Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail apoio.estudante@mail.uma.pt.
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Reprodução/Facebook UBI.pt
Reprodução/Facebook UBI.pt

Universidade da Beira Interior

Podem se inscrever candidatos que tenham realizado o Enem nos últimos três anos. A 2ª fase de inscrições para o ano letivo 2017/2018 começou em 20 de março e segue até o dia 30 de junho.

Estudantes brasileiros recebem desconto de 40% no valor da anuidade e também podem receber bolsas com descontos maiores, caso a nota do Enem seja uma das melhores entre os candidatos.

Dúvidas podem ser esclarecidas pelo e-mail inter@ubi.pt.
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Reprodução/Facebook Cespu, CRL - Ensino Superior
Reprodução/Facebook Cespu, CRL - Ensino Superior

Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário

Brasileiros interessados nos cursos de graduação da Cespu deverão ter obtido uma nota igual ou superior a 500 na prova de Ciências da Natureza e Suas Tecnologias do Enem.

A média das notas do candidato no ensino médio é considerada ainda como critério de ponderação. As taxas anuais variam conforme os cursos, sendo de 3.500 a 7.000 euros.

Dúvidas podem ser esclarecidas pelo e-mail ingresso@cespu.pt.
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