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"Essa isonomia como eles dizem não existe", diz reitor da Unicamp sobre salários de servidores

Da Redação*

Em São Paulo

01/06/2010 16h56

Atualizada em 2 de junho, às 15h07

A principal reivindicação do movimento grevista dos funcionários das três universidades estaduais paulistas é um aumento de 6%, índice de reajuste concedido aos professores das instituições. Segundo o reitor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Fernando Costa, "essa isonomia como eles [o movimento grevista] dizem não existe".

"As três universidades têm dado reajustes constantes de maneira a manter o poder aquisitivo de seus funcionários nos últimos dez anos", disse Costa, que também é presidente do Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas).

Roberto Setton/UOL
Grevistas da USP fizeram passeata nesta terça-feira (1º)

Segundo ele, a isonomia deve existir entre as três universidades, mas não necessariamente entre funcionários e professores. "E deve se manter assim", disse o professor, que participa do 2º Encontro Internacional de Reitores Universia, em Guadalajara, no México.

Quanto às negociações, o reitor apenas comenta que "espera sensibilidade" por parte dos sindicatos. "Não podemos colocar em risco o funcionamento da universidade", disse. O reitor se refere às verbas, que dependem dos valores de impostos recolhidos pelo Estado de São Paulo.

Em nota divulgada em 21 de maio, o Cruesp afirma que, desde 1996, houve duas reestruturações exclusivas para a carreira dos servidores técnico-administrativos, que resultaram em investimento superior a 6% do total da folha de pagamento. O conselho diz que a reestruturação da carreira docente é "imprescindível para preservar a qualidade de ensino e a competitividade salarial das Universidades Estaduais Paulistas frente às outras universidades públicas".

Greve

Servidores da USP (Universidade de São Paulo), Unesp (Universidade Estadual Paulista) e Unicamp continuam em greve e reivindicam, além do reajuste de salário definido na pauta unificada, a volta da isonomia salarial entre docentes e funcionários. A isonomia foi quebrada quando as universidades paulistas concederam aumento de 6% somente a docentes, no início do ano.

Na Unicamp, os servidores já estão há 18 dias parados, de acordo com o coordenador do STU (Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp), Luiz Alfredo Scapini. Ele conta que as faculdades de Educação, Filosofia e o IEL (Instituto de Estudos da Linguagem) estão totalmente parados, e a biblioteca central e a faculdade de química estão parcialmente em greve. Segundo o reitor da universidade, "nenhum serviço da Unicamp foi comprometido pela greve".

Na USP (Universidade de São Paulo), a greve começou em 5 de maio. Até a última sexta-feira (28), o Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) estimava que 60% dos trabalhadores dos três campi da instituição (São Paulo, Bauru e São Carlos) haviam aderido à greve. Nesta tarde, o sindicato se reune com representantes da instituição para pedir que o reitor João Grandino Rodas passe a apoiar a manutenção da isonomia salarial e para que não haja corte de ponto dos grevistas.

Pela manhã, os servidores fizeram passeata na cidade universitária, em São Paulo.

O Cruesp, na última reunião realizada com os sindicatos em 18 de maio, manteve a proposta inicial de reajuste de 6,57% para funcionários e professores, feita no dia 11, sem levar em conta a questão da isonomia. A pauta unificada inicial dos trabalhadores pedia 16% de aumento mais R$ 200 por perdas salariais. Os servidores, no entanto, se propõem a negociá-la, desde que seja reaberto o diálogo.

*Com informações de Karina Yamamoto, editora do UOL Educação, em Guadalajara (México)

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