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Homossexualidade ainda é tabu na conversa entre pais e filhos; veja como amenizar situação

Carla Hosoi<br>Especial para UOL Educação

Em São Paulo

30/04/2011 07h00

A homossexualidade é um dos piores tabus entre os assuntos que envolvem a sexualidade -- segundo os especialistas. Os pais costumam ficar desesperados, não sabem o que fazer -- tudo isso porque não existe a expectativa de que um filho possa ter uma orientação sexual diferente da sua. Sem falar na discriminação e sofrimento que ainda hoje atingem os homossexuais.

Antes de introduzir o assunto, cabe aos pais serem sensíveis o suficiente para ver se realmente é o momento de falar sobre isso.

Achar que seu filho ou filha tem uma tendência homessexual só porque não é agressivo ou afeminada o suficiente é uma idéia preconceituosa, que não corresponde, na maioria dos casos, a uma verdade. O comportamento não define a orientação sexual de uma pessoa.

Os pais devem saber que a decisão de ser hetero ou homosexual não é tomada conscientemente, mas faz parte do desenvolvimento da sexualidade, assim como a própria personalidade.

Como puxar o papo:

Como é um tema delicado, deve ser tratado com respeito que merece. Saber se o o filho será receptivo é essencial. Caso esteja em dúvida, demonstre que está aberto à conversa, mas espere que a iniciativa parta do jovem ou da jovem.

Quando o filho ou filha procurar os pais, algumas questões precisam ser abordadas:

  • A própria certeza da homossexualidade na adolescência deve ser questionada, pois nesta fase é muito comum os filhos vivenciarem experimentações sexuais com pessoas do mesmo sexo como curiosidade ou realização de fantasias próprias da adolescência
  • A naturalidade deve imperar para evitar que preconceitos e discriminações sejam disseminados dentro da própria casa
  • Informe-se e indique a leitura de um livro que fale sobre o assunto. Assim, o filho ou a filha podem tirar suas dúvidas e encarar sua orientação sexual sem tantos medos e angústias
  • Se há negação conflituosa do próprio adolescente, procure ajuda de um psicólogo

Como NÃO agir:

Condenar, culpar (os filhos ou a si mesmo) ou ver a orientação sexual como algo de outro planeta. Idealizar uma sexualidade para os filhos, estimulando comportamentos esteriotipados (filho machão e filha dócil e meiga). Isso pode trazer conflitos sexuais permanentes.


Fontes: Arlete Gianfaldoni, médica assistente doutora da clínica ginecológica  Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e especialista em ginecologia e obstetricia da Infância, membro da Sogia (Sociedade de obstetricia e ginecologia da Infância e Adolescência), Marcos Ribeiro, autor do livro Conversando com seu filho adolescente sobre sexo, Ivette Gattás, psiquiatra da Infância e Adolescência e coordenadora da Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência (UPIA) da Unifesp, Maurício de Souza Lima, médico hebiatra.

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