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Melhor escola pública do país tem vestibulinho, professores com mestrado e funciona na UFV

Rayder Bragon<br>Especial para UOL

Em Belo Horizonte

12/09/2011 03h00Atualizada em 16/09/2011 16h17

O Coluni (Colégio de Aplicação) da UFV (Universidade Federal de Viçosa) foi a instituição da rede pública com maior média total no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2010 -- sua nota foi 726,42. Em comparação com todas as escolas participantes, ele ficaria em oitavo lugar.

Uma escola pública com bons resultados vira destaque - e o Coluni-UFV já está acostumado com a exposição porque tem apresentado um bom desempenho desde que a nota do Enem por escola começou a ser divulgada em 2006.

COLUNI-UFV

REDEPública
MÉDIA TOTAL726,42
POSIÇÃO NO RANKING GERAL
TAXA DE PARTICIPAÇÃO98,1%

 

Apesar de os educadores não gostarem muito dos rankings, nem da tentativa de elaborar uma "receita" de sucesso, o Colégio de Aplicação da UFV apresenta algumas características que favorecem a qualidade do ensino e o bom desempenho dos estudantes no Enem.

Nem de longe, as condições são as mesmas da maioria das escolas públicas. Em primeiro lugar, a matrícula não é por ordem de chegada, proximidade com a casa do aluno ou por sorteio. Os alunos do Coluni-UFV passam por uma seleção em que a concorrência se aproxima de dez interessados por vaga. Assim, os escolhidos já chegam com melhor "bagagem inicial". As instalações, como laboratórios, são boas e 80% dos professores são contratados em regime de dedicação exclusiva (e são pagos acima da média das escolas públcias por isso).

Alunos com "boa bagagem"

O diretor do Coluni-UFV, Hélio Paulo Pereira Filho, admite que o fato de os alunos que entram na escola já terem passado por uma peneira “contribui bastante" para os bons resultados. "O que une nossos alunos é o fato de eles serem bastante qualificados e motivados. Dá gosto de dar aula para eles. Podemos exigir bastante deles porque eles acompanham e ainda nos cobram”, explica.

Para Pereira Filho essa “peneira” pela qual o candidato passa é apenas um “cartão de apresentação” que tem de ser lastreado por retorno acadêmico da escola, ao longo do tempo de permanência na escola. “Tem casos de alunos que foram bem colocados na seleção e não conseguem manter o mesmo rendimento. E vice-versa”, explicou o educador.

Segundo ele, o vestibulinho não faz uma seleção social -- ou seja, não "passam" apenas os alunos vindos da parcela mais rica da população. “[Nosso público] é diversificado. Eles vêm de camadas sociais distintas"

Nível de excelência dos professores

A boa formação dos professores também ajuda a entender por que os alunos se saem bem na avaliação. “Nossos professores têm uma qualificação profissional muito grande. Temos mestres, doutores. Os que não têm essa formação, são pelo menos especialistas nas suas respectivas áreas”, afirmou Pereira Filho. Esse é outro dado contrastante com a realidade da maioria das escolas no país. Para se ter uma ideia, 32% dos professores em sala de aula não têm sequer curso superior.

Quer ver mais um ingrediente da "receita" de sucesso? "Pelo menos 80% [dos professores] são de dedicação exclusiva à escola”. De acordo com Pereira Filho, o tempo a mais na escola permite aulas de reforço aos alunos nos horários distintos das aulas e o avanço de algumas matérias em projetos de pesquisa. Nessa dedicação, também estão incluídas as supervisões de estágio de estudantes da UFV, situação que proporciona um intercâmbio interessante entre teoria e prática docente.

“A exigência feita a nós é grande”, justificou ao deixar escapar que os salários estão acima da média dos demais professores públicos. “A lei exige 800 horas por ano. Mas nós ministramos 1.000 horas por ano”, citou o diretor, afirmando ainda que os professores são responsáveis por acompanhar estágio de alunos da universidade dentro da escola.

“Essa equipe, além das atribuições inerentes, tem atenção voltada para a orientação voltada para aqueles alunos com problemas de nota (baixa) e com (problemas de relacionamento com) professores. Além de relacionamento com a família. Mais da metade dos nossos alunos é de fora. Temos que avaliar que um menor de idade está longe dos familiares”, exemplificou.

“Pelo que a gente tem aqui, englobando o corpo docente e o corpo técnico, além da infraestrutura, arrisco-me a dizer: se a nossa presidenta [Dilma Rousseff] quiser usar como modelo os dos colégios de aplicação, para resolver o problema da educação no país, ela resolve”,  disse Pereira Filho.

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