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Em 2015, professor doutor em início de carreira ganhará apenas 0,85% mais do que hoje

Rafael Targino

Do UOL, em São Paulo

19/07/2012 06h00Atualizada em 19/07/2012 13h55

A proposta apresentada pelo MEC (Ministério da Educação) e pelo Ministério do Planejamento aos docentes federais em greve representará, descontada a inflação dos três anos, aumento de apenas 0,85% para o professor com doutorado em início de carreira em 2015.

Segundo a proposta do governo, em 2015 um professor com doutorado que começar a dar aulas em uma universidade ganhará R$ 8.439,77. Sem a proposta e computando o reajuste pela inflação de 4,5% ao ano, um docente iniciante ganharia R$ 8.368,94 em 2015.

Os cálculos, feitos pela economista Fabiana de Felício a pedido do UOL Educação, mostram que o reajuste proposto pelo governo quase não afeta a remuneração do doutor com dedicação exclusiva em início de carreira.

No caso de professores que já estão na carreira, há reajustes reais que, no caso de professores titulares - topo de carreira - podem chegar a 27%.

Explicando a proposta

 Salário em fevereiro/2012Salário corrigido pela inflação em 2015Proposta do governo para 2015Diferença entre valores
Iniciante com doutorado7.333,678.368,948.439,77+ 0,85%
Assistente mestre 24.759,715.431,626.171,22+ 13,62%
Assistente mestre 14.651,595.308,246.171,22+ 16,26%
Adjunto doutor 47.913,309.030,3910.952,19+ 21,28%
Titular doutor11.755,0513.414,4617.057,74+ 27,16%
  • 1. Os cálculos consideram inflação de 4,5% por ano no período
  • 2. Para efeito de cálculo, foram considerados só professores em dedicação exclusiva
  • Fonte: Fabiana de Felício, Ministério do Planejamento e Ministério da Educação

O Andes-SN (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior) critica a proposta do governo e divulgou, na última segunda-feira (16) nota afirmando que o governo faz “um jogo de números maquiados” e que a proposta de reajuste só apresenta ganho real, acima da inflação, para uma classe de professor que representa menos de 10% de toda a categoria.

Para o secretário de Educação Superior do MEC, Amaro Lins, é preciso olhar para a carreira como um todo –na expectativa salarial do professor ao longo da carreira. “O que nós queremos é tornar a carreira atraente para os novos professores, e principalmente que eles percebam que têm espaço de desenvolvimento da carreira na universidade”, disse.

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  • http://educacao.uol.com.br/enquetes/2012/07/13/o-que-voce-achou-da-proposta-do-governo-aos-professores-federais-em-greve.js

Já a assessoria de imprensa do Ministério do Planejamento disse que o ingresso na carreira docente é “opcional” e que um salário de um professor iniciante é atrativo principalmente no interior do país.

Plano de carreira

Essa diferença vem acompanhada de uma mudança proposta no plano de carreira dos docentes. Atualmente, existem 17 níveis, contando com o de titular. Um doutor só pode entrar hoje como adjunto 1.

A proposta do governo atende em parte a uma reivindicação do Andes-SN (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior), que pedia a reestruturação da carreira. Pelo texto apresentado, o número de “níveis” cai para 13, incluindo o de titular. No entanto, o professor doutor entra na universidade em uma categoria mais baixa, a de auxiliar 1.

“Como doutor, você já começava como adjunto 1. Agora, vai entrar como auxiliar 1 e terá mais passos, são 13 passos”, disse o professor Ricardo Summa, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

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