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Após ter casa atacada, Isadora faltou à escola; ela diz que vai seguir com seu Diário de Classe

A estudante Isadora Faber com a mãe Mel (sentada no sofá) e a tia Joice (de pé) hoje pela manhã  - Renan Antunes de Oliveira/UOL
A estudante Isadora Faber com a mãe Mel (sentada no sofá) e a tia Joice (de pé) hoje pela manhã Imagem: Renan Antunes de Oliveira/UOL

Renan Antunes de Oliveira

Do UOL, em Florianópolis

07/11/2012 10h30Atualizada em 07/11/2012 19h33

Mel e Christian Faber, os pais de Isadora Faber, não deixaram a menina ir à escola nesta quarta (7) por motivo de segurança. Na saída da aula na terça-feira (6), a menina foi ameaçada. Antes disso, na segunda -feira, a casa da família havia sido apedrejada  -- um dos ataques atingiu a avó da garota.

A mãe de Isadora disse, hoje, que sua filha “está sendo perseguida por gente que não entende que ela fez uma coisa para o bem de todos". Mel Faber continua: "O pior é que os professores estão em campanha contra Isadora; algumas crianças vieram nos contar coisas que as professoras dizem, estimulando violência contra Isadora".

Na escola, a direção disse que todas as perguntas do UOL devem ser encaminhadas à Secretaria Municipal de Educação. 

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Ameaça no pátio

Se ela está com medo de voltar à escola ? “Não. Vou continuar postando na internet aquilo que eu achar que está errado”.

A mãe acredita que o perigo de agressões está apenas na entrada e saída da escola; “Não acredito que lá dentro alguém permita que ela seja agredida, aí seria uma conspiração”.

Isadora disse que às vezes tem medo das hostilidades, dependendo " do tom das ameaças no pátio".

A ação de hostilidade da hora vem também de fora da escola. É conduzida por Francisco da Costa Silva, pai de uma colega de Isadora da turma da sétima série/3 (a da Isadora é a 7ª /1) identificada aqui como L (de 15 anos) - "seu Francisco" ficou "famoso" com as postagens da menina sobre a pintura da quadra esportiva que teria sido paga pela escola, mas não foi realizada. O pintor diz que o contrato foi feito com uma empresa em que ele é apenas auxiliar. 

Horas depois de a casa ser atacada com as quatro pedras, L trocou mensagens pelo Facebook com a irmã de Isadora, Duda, 16, combinando um encontro na saída da escola e propondo uma trégua: queria que Isadora parasse “de falar do meu pai, estando ele certo ou errado”. 

Duda aceitou o acordo de paz, mas ele não foi cumprido. “Acho que foi uma armação para a gente baixar a guarda na vigilância da Isadora”, disse Mel.

Na terça, na hora do recreio da turma da manhã, Pedro da Rosa, melhor amigo de Isadora, foi ameaçado por L, sinalizando que a trégua contra Isa e seus amigos não existia.

Isadora tenta manter a rotina após sucesso no Facebook
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Bate boca entre pai e pintor

Os Faber estão enfrentando a fúria de um homem criticado por Isadora no seu Diário de Classe, o pintor Francisco da Costa Silva, 47. Ele tem sido alvo de brincadeiras de Isadora, depois que ela criticou a falta de conservação da quadra esportiva da escola municipal Maria Tomázia Coelho. 

Quando Isadora fez as críticas, a direção da escola respondeu que a pintura da quadra teria sido contratada por um pintor chamado Francisco – mas o serviço nunca foi feito. Isadora não pára de postar cobranças da pintura. Ela disse que "não sabia que ele era pai de uma colega, não sabia nem o sobrenome dela, só sabia que era Francisco". Ela reclama que "sem a pintura a gente não pode praticar esportes, porque faltam as linhas no chão".

Na saída da escola, as famílias Faber e Costa se confrontaram.  Segundo relato de Isadora, o pintor Francisco estacionou uma Parati prata atrás do carro do pai dela (Christian), desceu acompanhado de um filho maior (de cerca de 20 anos) e começou uma discussão, gritando que Christian era “pedófilo e tarado”. 

Duas famílias que assistiram ao confronto confirmaram a versão de Isadora à reportagem do UOL. Segundo as testemunhas, enquanto o pintor batia boca com o pai, a filha dele atacou Isadora, que já estava dentro do carro. 

“Ela queria que eu saísse para me bater, estava com um grupo de colegas, também ameaçadoras”. A agressão não foi consumada.

Segundo Isadora, o pintor disse, de forma ameaçadora, que se ela não parecesse de fazer seus comentários críticos no Facebook ele usaria “aquilo que eu tenho no carro”, dando a entender que estava armado. O pintor teria dito “vocês devem ir embora daqui porque não são nativos”. Christian reagiu dizendo “ladrão, devolve o dinheiro que você recebeu pelo serviço que não fez”. 

Na Justiça

O confronto ficou nisto. À tarde, Mel Faber levou dona Rosa, a avó de Isadora, ao Instituto Médico Legal para exame das lesões e prestou queixa na delegacia do Idoso. Ela também deu queixa da ameaça do pintor na 8ª delegacia, no bairro dos Ingleses.

Numa terceira queixa, Mel  também foi ao Ministério Público Estadual para pedir investigação  do que acha que “ser uma ação fomentada por professores e direção da Escola Maria Tomázia Coelho. "As professoras  fazem uma campanha nas outras turmas dizendo que minha filha é contra a escola, criando rejeição", diz Mel Faber.

A tia Joice da Rosa queixou-se à Polícia Federal, pedindo para identificar o internauta que se apelida Formiga, que estaria conduzindo uma campanha de difamação de Isadora e família.

Isadora vinha denunciando que o pintor recebeu dinheiro da escola para pintar a quadra de esportes e não fez o trabalho. “Eu escrevi no Diário porque a direção disse que já tinha pago e o serviço não tinha sido feito”, defende-se  Isadora. A escola pagou R$ 1.800 pelas tintas, há dois anos, mas elas venceram sem ter sido usadas.

Na noite de terça Isadora pediu socorro pela Internet, postando as agressões no Facebook. Ela reclama que "a campanha das professores contra mim, pedindo que meus colegas não curtam minha página, o que está deixando muitos dos meu colegas contra mim"

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