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Alunos de medicina da Gama Filho continuam sem saber onde farão aulas práticas

Felipe Martins

Do UOL, no Rio de Janeiro

26/02/2013 17h44Atualizada em 26/02/2013 20h33

Em depoimento à CPI das Universidades Privadas, o presidente do grupo Grupo Galileo Educacional, Alex Klyemann, não deu prazo para solução do impasse quanto à volta das aulas práticas do curso de medicina da Universidade Gama Filho na santa Casa de Misericórdia. Em janeiro de 2012 o Grupo Galileo, controlador da Gama Filho e da UniverCidade, anunciou o rompimento do convênio com a Santa Casa, mas foi retomada a parceria ainda naquele ano para que os alunos não perdessem o ano letivo. “Ainda não tenho solução. Ainda não conversei com ninguém da Santa Casa, pretendo fazer isso na próxima semana”, afirmou.

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O presidente da CPI, deputado Paulo Ramos (PDT), questionou o motivo da manutenção do impasse, mesmo tendo se passado três meses desde que o controle do grupo passou para uma nova direção. “Estamos equacionando caso a caso os problemas. Equacionamos a inadimplência com a Secretaria de Saúde, zeramos a inadimplência com o Hospital da Aeronáutica. Vamos começar a examinar a questão da Santa Casa”.

Klyemann disse que a solução das dívidas com a Prefeitura e com a Aeronáutica, possibilitarão a regularização das aulas práticas dos estudantes. A afirmação , no entanto, foi refutada pelo representante do Sindicato dos Médicos, Jorge Luiz do Amaral, também professor da Gama Filho na Santa Casa.

“O município só recebe alunos do 10º ao 12º período. As unidades da rede municipal de saúde não têm professores regulamentados pelo Ministério da Educação. Um professor contratado por uma unidade privada de ensino não pode dar aula na rede pública”, disse.

Respondendo ao professor, o presidente do Grupo Galileo afirmou que os estudantes ao chegarem à rede pública para estágio serão recebidos por preceptores contratados.

Protestos dentro e fora da Alerj

Quando a reunião extraordinária se caminhava para o fim, o clima esquentou quando o relator da CPI deu a palavra a Rafael Iwamoto, 25 anos, estudante do quarto período e presidente do Camed (Centro Acadêmico de Medicina da Gama Filho). “Essa pessoa que está ao seu lado (falando para o presidente do Grupo Galileo) é a minha mãe. Gostaria que você olhasse para ela e dissesse por que o filho dela não vai se formar em medicina”, bradou, ganhando aplausos de professores e pais de alunos presentes à CPI.

Nas escadarias da Alerj, um grupo de estudantes da Gama Filho e da Univercidade protestava contra a Galileo Educacional. O presidente da UEE (União Estadual dos Estudantes), Igor Mayworm, criticou o depoimento de Klyemann. "De uma maneira desrespeitosa, o representante da Galileo afirmou desconhecer os problemas graves que a comunidade acadêmica vem sofrendo como atraso dos salários dos professores, não pagamento de convênios. Como se pode formar um neurocirurgião sem nunca ter contato com o paciente?”, questionou. “O MEC precisa se posicionar contra os absurdos que acontecem em instituições como essa”, completou." 

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Crise se agravou em 2012

A crise na Universidade Gama Filho e na Univercidade se agravou em 2012. Cerca de 600 professores foram demitidos segundo informações do sindicato. O grupo Galileo confirma 410 profissionais de educação mandados embora. Muitos dos professores demitidos ainda não receberam o dinheiro referente à rescisão de contrato.

Em abril, professores da Gama Filho e Univercidade cruzaram os braços em uma greve que durou cerca de um mês.  De acordo com os docentes, parte dos salários de dezembro, janeiro e março e também o 13º salário de 2007 estavam atrasados.

Em maio, foi a vez dos alunos protestarem. Cerca de mil estudantes fizeram manifestação no campus da Gama Filho na Piedade, bairro da zona norte do Rio, contra a falta de infraestrutura da unidade e a demissão de professores e aumento das mensalidades. Banheiros sem água, lixo acumulado nas salas de aula eram algumas das reclamações.

Ao longo do ano, cinco campi das instituições foram fechados, quatro por ordem de despejo. Alunos reclamam o aumento do tempo de deslocamento de casa à faculdade. “Eu desde que fui transferido passei a levar uma hora e meia no trajeto de casa à faculdade, antes levava penas meia hora”, disse Ana Paula Santos, que estudava no campus Freguesia, na zona oeste, e foi deslocada para Madureira, na zona norte da cidade.

No início de 2013, mais 70 professores foram demitidos. Gama Filho e Univercidade têm, juntas, quase 34 mil estudantes.