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Ideb 2013: Paim dá poucas explicações sobre resultado e faz novas promessas

Valter Campanato/Agência Brasil
Ministro Henrique Paim na divulgação do Ideb 2013 nesta sexta (5) Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

Bruna Borges

Do UOL, em Brasília

05/09/2014 18h03Atualizada em 07/09/2014 12h53

O ministro da educação, Henrique Paim, fez novas promessas, mas pouco explicou sobre o motivo de fraco desempenho do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (5) e apresentam uma melhora tímida nos primeiros anos do ensino fundamental e um fraco desempenho no ensino médio.

Para o ministro, o Brasil vive uma onda de melhoria dos anos iniciais que tende a avançar para os outros anos com o tempo. Ele admite que é preciso intensificar as políticas voltadas para o ensino médio. "A implantação de políticas de gestão voltadas ao ensino médio é mais recente do que o esforço que fizemos nos anos iniciais e nos anos finais. Ao longo desses anos o que conseguimos fazer no ensino médio foi criar condições básicas de funcionamento”, defendeu.

Na divulgação do Ideb 2011, o ministro à epoca, Aloizio Mercadante (atualmente na Casa Civil), também prometeu mudanças nessa etapa de ensino, que é tida como a mais problemática da educação básica. Houve um pacto com os Estados para o setor, mas as ações não repercutiram nos resultados de 2013.

Currículo flexível

Paim reconhece que é necessário flexibilizar o currículo do ensino médio e incluir a possibilidade da formação técnica. "A maioria dos educadores sabe que precisamos rever o ensino médio”, afirmou. “Nós temos um desafio sim que é encontrar uma fórmula de ter maior flexibilidade do currículo, redesenhar esse currículo a partir de áreas e permitir que esse currículo seja mais atrativo. O ensino médio precisa avançar em outros aspectos como a formação para o trabalho. E o Pronatec permite que no futuro tenha um a maior oportunidade para o mundo do trabalho.”

O ministro também afirmou que o governo federal está trabalhando para alcançar as metas de melhorias definidas no Plano Nacional de Educação, mas reconheceu que o processo ainda pode levar dois anos. “Esse plano tem metas e é uma lei que estabelece o Ministério da Educação como organizador, portanto o ministério deverá definir a base nacional comum. O prazo é de dois anos para ser implantado”, disse Paim.

Segundo Paim, o MEC está focado em dialogar com Estados e municípios para alcançar as metas estabelecidas pelo plano. O ministro, no entanto não explicou de que forma o diálogo tem sido feito, nem como as metas serão alcançadas.

"Esperamos que assim a gente melhore o desempenho dos anos finais e ensino médio. Nós acreditamos que essa pactuação entre as partes [União, Estados e municípios] vai nos ajudar nesse objetivo”, declarou. “É uma grande discussão que o país vai fazer.  Não é um tema fácil, mas o Brasil precisa enfrentar."

Segundo os dados divulgados hoje, o país só conseguiu superar a meta de qualidade nos primeiros anos do ensino fundamental (do 1º ao 5º ano), mas nas demais séries, as notas foram insatisfatórias.

Para Paim, a complexidade dos anos finais do ensino fundamental e médio explica esse desempenho. “Essa onda de melhoria que chegou aos anos iniciais acaba chegando, mas não no ritmo necessário e isso faz com que haja uma reflexão que está concentrada nas questões estruturais. Gerir uma escola de ensino médio exige uma complexidade maior porque é uma escola maior, tem quantidade maior de professores, que nem sempre trabalham só nesta escola e isso resulta numa complexidade maior”, explicou o ministro.

Questionado sobre investimentos, o ministro reconheceu que é preciso ampliar o gasto do governo com educação, mas defendeu que seja melhorada a gestão do sistema educacional e repetiu a tese de que a complexidade do ensino médio explica seu desempenho insatisfatório.

“É preciso avançar nos investimentos. O que não significa que não precisamos investir a melhoria da gestão”, disse Paim.

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