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Doações ajudam a manter ocupações em escolas de SP

Márcio Neves

do UOL, em São Paulo

2015-11-28T06:00:00

28/11/2015 06h00

Na grade de um dos portões da escola estadual Castro Alves, na zona norte de São Paulo, aproxima-se um homem de cerca de 40 anos, com um sorriso no rosto e uma caixa com mantimentos e produtos de higiene.

Uma aluna da escola, de 15 anos, abre a grade e mostra uma mesa onde uma outra adolescente recebe a caixa com satisfação. Tento conversar com o homem, mas ele se limita a dizer que não mora no bairro, mas que faz questão de ajudar com o que pode.

A escola está ocupada desde 12 de novembro, por alunos em protesto contra a reorganização realizada pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. A escola está na lista de unidades escolares que devem ser fechadas. A reportagem do UOL visitou a escola no dia 19.

Pouco tempo depois uma senhora se aproxima do mesmo portão com muitas sacolas, parece chegar do mercado. A dona de casa, Iza Barbara, diz que não conhece ninguém na escola, mas que faz questão de ajudar os jovens em suas lutas. 

Ela diz ter levado doações a uma outra escola e avisaram que aquele local estava mais necessitado e, então, ela decidiu trazer alimentos, medicamentos e uma sacola repleta de livros.

As doações sustentam a manutenção das ocupações. Pais, professores e vaquinhas realizadas entre os alunos ajudam no que faltar. As listas sobre as necessidades dos alunos circulam pelas redes sociais e, em muitos casos, ficam penduradas na entrada da escola, caso da escola estadual Manuel Ciridião Buarque que fica na Cerro Corá, zona oeste da capital.

Alunos de outras escolas não ocupadas também fortalecem a dispensa para as refeições com alimentos e para a limpeza dos locais com produtos de limpeza. Por exemplo, alunos do colégio particular Oswald de Andrade recolheram dinheiro e levaram comida e medicamentos para a escola estadual Godofredo Furtado, em Pinheiros.

Na escola estadual Astrogildo Arruda, na zona leste, os alunos têm organizado vaquinhas para as refeições. 

Grupos nas redes sociais também têm ajudado a organizar o ciclo de doações para as escolas que ajudam a manter as ocupações ativas e mais confortáveis.

Na escola estadual Fernão Dias, que teve maior visibilidade após quatro dias de cerco policial, as doações chegam a todo momento. A orientação dada é que os voluntários procurem outras escolas que estejam em maior necessidade -- em geral, os colégios que estão na periferia da cidade. Um grupo de alunos que estão na escola que fica em Pinheiros, na zona oeste, já se organizou e tenta distribuir o excesso de doações para outras escolas ocupadas na cidade.

Há quase 200 escolas ocupadas em todo o Estado de São Paulo em protesto contra a reorganização da rede estadual.

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