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Alunos de escolas técnicas protestam contra desvios de merenda em SP

Fernanda Cruz*

da Agência Brasil

20/04/2016 11h52Atualizada em 20/04/2016 12h42

Alunos de escolas técnicas estaduais fazem uma manifestação na praça Coronel Fernando Prestes, na Luz, centro da capital paulista. Eles reivindicam punição aos desvios na merenda escolar. A concentração do protesto começou às 7h, e, por volta das 10h30, o grupo vai seguir em passeata pela região central.

A Polícia Militar não fez estimativa do número de manifestantes no protesto, mas os estudantes calculam que pelo menos mil pessoas participam do ato, incluindo escolas de São Paulo, Tiquatira, Itaquera, Paulistano, Guaracy Silveira, Parque da Juventude e Professor Camargo Aranha.

Segundo Guilherme da Silva, de 15 anos, que estuda na Escola Estadual Amélia Kerr Nogueira, um grupo pulou catracas na estação Sumaré do metrô, região oeste, para chegar à manifestação no centro. Os 15 adolescentes, da Escola Fernão Dias Paes, disseram que sofreram agressões dos seguranças do metrô e que um deles foi detido e, depois, liberado.

"Eu fui tentar trocar ideia com o cara [segurança do metrô] e ele me deu um soco no nariz e numa menina. A gente seguiu o trajeto. Na estação Paraíso, quando fomos entrar no metrô, um estudante do Fernão Dias foi puxado pelo colarinho pelo segurança. Fizemos resistência para não levar aquele estudante", disse Guilherme.

Em nota, o metrô disse que "o grupo de 30 pessoas, que por volta das 8h05 desta quarta-feira, dia 20, burlou a linha de bloqueios (catracas) da estação Sumaré ao passar sem pagar a tarifa, foi abordado posteriormente pelos agentes de segurança na estação Paraíso. No local, o grupo foi orientado quanto a ilegalidade da prática, acompanhado pelos agentes em nova viagem de trem, desta vez até a estação Tiradentes, onde foi liberado. Vale ressaltar que os estudantes, devidamente cadastrados em instituições de ensino, têm direito ao pagamento de 50% da tarifa ou mesmo à gratuidade". 

Falta de alimentação

Chablau, estudante da escola técnica São Paulo, integrante do grêmio, diz que os alunos não recebem merenda e nem almoço, mesmo ficando em período integral na instituição. Grande parte das escolas nunca teve merenda ou almoço, segundo ela.

"Aqui na ETCs de São Paulo, quem faz ensino integrado passa o dia inteiro na escola, e tem que esquentar marmita no microondas. Só que são três microondas para todos, incluindo a Fatec. Então, são seis mil estudantes para três micro-ondas. A gente acaba não comendo. Os enfermeiros daqui dizem que muita gente passa mal porque não come", disse ela.

A Agência Brasil entrou em contato com a secretaria estadual da Educação, que informou que enviará nota comentando as reivindicações.

Fraudes

Uma força-tarefa da Polícia Civil e do Ministério Público investiga, na Operação Alba Branca, deflagrada no dia 19 de janeiro, um esquema de fraude na compra de merenda escolar de prefeituras e do governo paulista. Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Ribeirão Preto, as fraudes nas contratações da merenda, feitas entre 2013 e 2015, chegam a R$ 7 milhões, sendo R$ 700 mil destinados ao pagamento de propina e comissões ilícitas.

Segundo o Gaeco, os crimes envolvem 20 municípios: Americana, Araras, Assis, Bauru, Caieiras, Campinas, Colômbia, Cotia, Mairinque, Mairiporã, Mogi das Cruzes, Novaes, Paraíso, Paulínia, Pitangueiras, Ribeirão Pires, São Bernardo do Campo, Santa Rosa de Viterbo, Santos e Valinhos.

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