PUBLICIDADE
Topo

Divididos, alunos de SP decidem desocupar colégio Fernão Dias

Assembleia realizada na manhã desta segunda - Bruna Souza Cruz/UOL
Assembleia realizada na manhã desta segunda Imagem: Bruna Souza Cruz/UOL

Bruna Souza Cruz

Do UOL, em São Paulo

02/05/2016 11h46Atualizada em 02/05/2016 14h30

Estudantes da Escola Estadual Fernão Dias, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, decidiram em assembleia tumultuada nesta segunda-feira (2) suspender a ocupação do local e retomar as aulas. Mais de 60 pessoas participaram de discussões acaloradas entre ocupantes do colégio e alunos que desejavam ter aulas. Alguns professores e pais de estudantes também estavam presentes. 

O grupo que ocupava a escola decidiu protestar contra a falta de merenda e os desvios de verbas da educação, na chamada "Máfia da merenda", em apoio à ocupação do Centro Paula Souza, região central da capital, desde a última quinta-feira (28) pelos mesmos motivos.

Por volta 10h45, a direção da escola entendeu, depois de muita discussão, que a maioria desejava a retomada das aulas. Uma professora que não quis se identificar afirmou que a diretora do colégio propôs uma agenda de assembleia com estudantes para discutir as reivindicações.

"Eu estou dividida. Eu até apoiaria a ocupação desde que a gente pudesse continuar tendo aulas normalmente. Os alunos foram muito prejudicados na ocupação passada. A reposição das aulas foi toda corrida e não aprendemos direito. Por isso, acho que as aulas deveriam continuar", afirmou Larissa, 15, aluna do 2º ano do ensino médio. 

"A causa pelo que eles [que ocuparam] lutam é nobre. É por causa da falta de merenda para estudantes que muitas vezes só podem comer na escola. Mas tem professores [substitutos] que não ganham se não dão aula. Eles precisam trabalhar também. Por isso, pode até ter ocupação, mas tem que ter aula", acrescentou Bárbara, 15, estudante do 2º ano.

Como tudo começou

Entre novembro do ano passado e janeiro deste ano, diversas escolas estaduais de São Paulo estiveram ocupadas por alunos. Eles protestavam contra a reorganização escolar proposta pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB). O projeto previa o fechamento de 93 unidades. A escola Fernão Dias foi símbolo das manifestações. Pressionado, o governo de São Paulo decidiu suspender o plano.

Estudantes de Goiás se inspiraram no modelo de ocupações para protestar contra a transferência da gestão das escolas para organizações sociais. Os alunos começaram a ocupar colégios públicos na primeira semana de dezembro de 2015 e a mobilização avançou até o final de fevereiro de 2016. Ao todo, 28 instituições de ensino fizeram parte do movimento.

No Rio de Janeiro, 66 escolas seguem ocupadas de acordo com a Secretaria Estadual de Educação. A Anel-RJ (Assembleia Nacional de Estudantes-Livre) informou que até sábado (30) esse número era maior, com 76 ocupações.