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Enem traz prova de exatas mais "conceitual" e com menos cálculos; química é a mais difícil

Luis Fortes/MEC
11.nov.2018 - Participantes conferem caderno de questões do 2º dia do Enem, em Brasília Imagem: Luis Fortes/MEC

Mirthyani Bezerra

Do UOL, em São Paulo

11/11/2018 21h17

Os candidatos que participaram do segundo dia de aplicação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2018 precisaram fazer menos cálculos do que em anos anteriores para resolver as questões das disciplinas de exatas. Mas segundo especialistas, isso não quer dizer que as provas foram mais fáceis e menos trabalhosas do que nas edições passadas. 

Neste domingo (11), os participantes tiveram que resolver as 45 questões de Ciências da Natureza e suas Tecnologias e outras 45 de Matemática e suas Tecnologias.

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“Foi exigido menos cálculo do que no ano passado. As questões de física, por exemplo, foram conteudistas ao extremo, bem mais conceituais”, disse a coordenadora pedagógica do Objetivo, Vera Antunes.

Para ela, houve um aumento no nível geral das provas em comparação com o ano passado. “As questões difíceis foram realmente muito difíceis, mais do que no nível do ano passado”, disse.

O coordenador do Curso Poliedro, Vinicius de Carvalho Haidar, também afirmou que, no geral, as questões foram mais conceituais, principalmente nas provas de física e química.

“Não foram provas com muitas contas para fazer, foram mais conceituais. Não necessariamente quer dizer que foram mais fáceis. O aluno mais preparado para responder questões mais diretas pode ter sido mais complicado”, afirmou.

Vera Antunes pontuou que as provas de todas as matérias trouxeram enunciados longos e que muitas questões vieram com gráficos e outros recursos visuais que precisavam ser interpretados pelo participante. “Houve questões que tomaram quase a página inteira do caderno. Todas tiveram textos longos, grandes, que exigiram cuidado do aluno para interpretar o texto”, disse.

A coordenadora pedagógica do Objetivo associou o tamanho das questões ao aumento de meia hora para a execução das provas de exatas do Enem, novidade no exame deste ano, que teve início às 13h30 e término às 18h30. “Teve um aumento porque os alunos não conseguiram acabar a prova no ano passado. Imagina esse ano, se fosse o mesmo tempo, tendo que ler esses textos complicados de enunciado?”, disse.

Química

Química se manteve como a maior parte da prova de Ciências da Natureza e suas Tecnologias. Foram 19 questões ao todo, contra 13 de biologia e 13 de física.

Para Marcelo Dias Carvalho, coordenador do Grupo Etapa, as questões de química chamaram atenção por terem sido mais difíceis do que em anos anteriores. “Foi uma prova mais difícil. Exigiu mais conteúdo, que o aluno lesse mais de uma vez o enunciado, embora fossem temas recorrentes. As questões deram mais trabalho.”

O professor de química da SAS plataforma de educação, Michel Henri, chamou atenção para a diminuição de questões que precisavam de cálculos. “A prova de química do ano passado foi considerada a mais difícil do Enem, então podemos dizer que com a redução das questões envolvendo cálculos, reduziu em um grauzinho a dificuldade da prova”, acredita.

Pra Vera Antunes, a prova foi mais difícil porque, entre outros fatores, apresentou um vocabulário diferente do que costumava ser cobrado do aluno nos enunciados. “O que chamou atenção na química foi o vocabulário diferente que o aluno não estava acostumado, que não é comum para um aluno formado no ensino médio."

Célio Tasinafo, diretor pedagógico da Oficina do Estudante, foi além. Para ele, a prova de química de 2018 foi a mais difícil da história do Enem. "Foi a prova mais difícil e exigente de todos os tempos", avaliou. "Certamente, mesmo os alunos que fizeram todas as provas anteriores do Enem e se prepararam cuidadosamente para a edição desse ano devem ter estranhado pela dificuldade."

Biologia

Comparando o grau de dificuldade das disciplinas do segundo dia do Enem, o coordenador do Curso Poliedro, Vinicius de Carvalho Haidar, afirmou que a prova de biologia foi a mais fácil dentre elas. “Veio com bastante texto, com tabelas para sempre interpretadas, gráficos. Trouxe temas atuais e fez o cruzamento com outras matérias, assim como a prova de química”, comentou.

Vera Antunes, do Objetivo, disse que foi uma das provas mais criativas já aplicadas no Enem. “As questões foram bem boladas, usando a biologia de maneira rica”, disse. Segundo ela, porém, as questões de biologia foram mais difíceis do que as do ano passado.

Para a coordenadora, a questão mais difícil da prova de biologia exigia do aluno conhecimentos sobre polinização e genética. “O aluno tinha que analisar o esquema exposto graficamente, envolvendo genética e polinização. Foi, de fato, a questão que mais exigiu do candidato”, disse.

Física

A prova de física também exigiu menos cálculos dos participantes do Enem, mas na opinião de Marcelo Dias Carvalho, isso não facilitou a vida do candidato. “Foi uma prova mais conteudista”, disse.

Para Vera Antunes, o participante tinha que saber fórmulas, o que, segundo ela, “não era comum no Enem”. “Teve questões fáceis, de um extremo a outro, de fáceis a muito difíceis. Mas sem muitos cálculos, bem mais conceito”, disse,

Para Carvalho, a questão mais complexa de física envolvia o funcionamento de equipamentos de som. “Era uma questão com a presença de gráficos, com uma situação desenhada. Chamou a atenção pelo o grau de atenção que o candidato precisava ter com o enunciado”, disse,

Matemática

Marcelo Dias Carvalho disse que a prova de matemática foi a mais equilibrada entre aspectos de interpretação e os mais quantitativos. “A percepção é que as 10 primeiras fluíram bem, eram mais conceituais, a leitura não era longa. Após as 10 primeiras,,a prova foi assumindo um caráter mais trabalhoso no enunciado. Ele precisava ler e reler, até ter certeza do que estava sendo pedido”, disso o coordenador do Etapa.

A prova também trouxe aspectos lúdicos mesclados com conteúdos mais conceituais, a exemplo da questão sobre o game Minecraft, considerada pelos professores ouvidos pelo UOL uma das mais fáceis da prova. “Para quem nunca jogou, era uma explicação autossuficiente. Realmente é uma ideia legal, a banca mostrou que está antenada com a gameficação. É bom estar presente na prova do Enem”, disse o coordenador do Etapa.

Para Vera Antunes, as questões mais trabalhosas envolveram abordaram a temática da proporção. “Logaritmo caiu mais, probabilidade caiu mais. A novidade é que determinante nunca havia caído no Enem e foi cobrado pela primeira vez este ano”, disse.

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