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Apesar de coronavírus, Fuvest mantém vestibular em novembro

Werther Santana/Estadão Conteúdo
Imagem: Werther Santana/Estadão Conteúdo

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

22/04/2020 10h47Atualizada em 22/04/2020 14h22

Apesar da crise do novo coronavírus e da paralisação das aulas presenciais em todo o país, a Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular), que seleciona para a USP (Universidade de São Paulo), decidiu manter o calendário do vestibular 2021, que prevê a realização das provas da 1ª fase em novembro.

As datas do processo seletivo foram divulgadas hoje. As inscrições serão abertas entre 10 de agosto e 18 de setembro. A 1ª fase será realizada no dia 29 de novembro, enquanto as provas da 2ª fase serão realizadas nos dias 3 e 4 de janeiro do ano que vem. A lista de aprovados será divulgada em 22 de janeiro.

A taxa de inscrição terá o mesmo valor da edição passada do vestibular, R$ 182. Para os candidatos que desejarem pedir redução de taxa, a solicitação deverá ser feita entre 15 de junho e 10 de julho.

Entidade quer mudança de data e cogita ir à Justiça

A ONG Educafro, que trabalha com cursinhos pré-vestibular e atua na promoção de ações afirmativas, defende a mudança de data da Fuvest e não descarta ir à Justiça para que isso aconteça.

"Aqueles que estudam em cursinhos caros, escolas caras, todos têm bons equipamentos e estão tendo aulas online com todo vigor e determinação. Os pobres, da rede pública, não estão tendo aula por causa do coronavírus e as aulas online ainda não começaram. Aquelas que começaram de maneira espontânea não têm o mínimo de qualidade para competir com os ricos de cursinhos e escolas caras", diz o Frei David Santos, que está à frente da entidade.

Segundo ele, a Educafro fará formalmente o pedido de adiamento à Fuvest. Caso não seja acatado, a entidade entrará com o pedido na Justiça. A Educafro também irá pedir que a data para os pedidos de isenção seja modificada.

Segundo Santos, é preciso que o prazo para as solicitações de gratuidade seja o mesmo do pagamento da taxa. Hoje, os pedidos de isenção acontecem em junho, antes mesmo da abertura das inscrições para o processo seletivo.

"Quando o período de inscrição é aberto, a divulgação é intensa na mídia, e é nessa hora que o jovem pobre percebe que perdeu a oportunidade da isenção", diz ele.

Enem

O MEC (Ministério da Educação) também decidiu manter o calendário do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), mas a realização do exame acabou sendo levada à Justiça. Na noite de sexta-feira (17), a Justiça Federal de São Paulo determinou que o calendário do Enem deve ser readequado à realidade do ano letivo.

O MEC (Ministério da Educação) já informou que irá recorrer da decisão da Justiça. Paralelamente, o ministério decidiu postergar o Enem digital, que estava previsto para outubro, para os dias 22 e 29 de novembro. Mas, segundo o MEC, o Enem regular, com provas impressas, continua marcado para 1º e 8 de novembro.

A manutenção do calendário do Enem é alvo de críticas por entidades estudantis, secretários de educação e também de parlamentares. Em entrevista ao UOL, a deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP) afirmou que manter as datas do Enem pode prejudicar os alunos mais pobres, que não têm acesso à educação a distância.

Em entrevista concedida ao UOL antes da decisão da Justiça, o presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), órgão do MEC responsável pelo Enem, afirmou que o "plano A" é a realização do exame em novembro. Ele disse, no entanto, que "sempre" há um plano B, mas evitou falar sobre outras opções.