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Nunca vi a educação ser tão desprezada como agora, diz Tabata Amaral

Para a deputada, os dois últimos ministros não entendiam de educação e fizeram do MEC um "palanque ideológico" - Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Para a deputada, os dois últimos ministros não entendiam de educação e fizeram do MEC um 'palanque ideológico' Imagem: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Colaboração para o UOL

16/07/2020 14h59Atualizada em 16/07/2020 15h23

A deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP) criticou hoje a atual precariedade do sistema educacional no Brasil e a atuação dos ex-ministros da Educação do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) Ricardo Vélez e Abraham Weintraub.

"Nunca vi a educação sendo tão desprezada como estou vendo há um ano e meio. Falando dos últimos dois [ministros], que podemos avaliar, o que eu via eram ministros que não entendiam de educação, não valorizavam e acabavam fazendo do Ministério da Educação um palanque ideológico, e quem sofre com isso são as nossas crianças", disse ela em entrevista à Rádio Jovem Pan.

A parlamentar também pontuou a falta de prioridade dada à educação em governos anteriores.

"Nenhum governo até aqui, de fato, priorizou a educação, especialmente quando a gente fala de educação básica. Isso não quer dizer que a educação não avançou. Antigamente a escola pública era para poucos, era para uma elite e a gente conseguiu garantir o acesso. Mas a questão da qualidade ainda é um grande problema. A gente tem uma escola pública que ainda pena muito para ensinar nossas meninas e meninos a aprenderem a ler e escrever", lamentou.

Questionada se o viés de ideologização no MEC do último ano e meio não seria uma reação sobre a forma e o conteúdo aplicado nas escolas, Tabata disse que as questões na educação vão além de ideologia.

"Antes esse fosse o problema. Quando vamos para uma escola pública, vemos professores que foram muito mal formados para a prática, pouco valorizados. Eles têm uma formação extremamente teórica, chegam na sala de aula e não recebem nenhum tipo de apoio e ainda têm que lidar com 45, 50 estudantes. Falta material, falta janela."

E acrescentou: "Temos que conhecer um pouco mais da realidade no Brasil e entender que não é um problema de ideologia, é um problema de uma educação que não chega. Os estudos do Paulo Freire são reconhecidos em todo o mundo. Não dá para dizer se Paulo Freire funciona ou não no Brasil quando isso sequer foi implementado. O problema da educação no Brasil não é qual o método que está sendo utilizado, o problema é que não tem método", finalizou.

O novo ministro da Educação, Milton Ribeiro, toma posse hoje. Ele foi indicado após Carlos Alberto Decotelli ser nomeado, mas sequer ser empossado por causa da repercussão sobre várias incongruências em seu currículo.