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Volta às aulas: SP mantém cronograma, mas condiciona retorno aos municípios

Do UOL, em São Paulo

05/10/2020 13h23

O governador de São Paulo João Doria (PSDB) confirmou hoje o cronograma de volta às aulas presenciais no estado, que prevê o retorno a partir de quarta-feira (07). No entanto, Doria lembrou que a decisão de retomar as atividades letivas após a suspensão por causa da pandemia do novo coronavírus continua a cargo das prefeituras.

Para esta semana, o governo estadual permitiu a volta de alunos do ensino médio e do EJA (Educação de Jovens Adultos) da rede estadual. Já o ensino fundamental tem retorno programado para 3 de novembro.

"O governo decidiu iniciar o retorno pelos alunos matriculados no ensino médio e na educação de jovens e adultos porque são os ciclos de ensino que podem ser mais afetados pela evasão escolar, prejudicando os estudantes mais vulneráveis, mais pobres", afirmou Doria durante entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.

"Mas a volta às aulas está condicionada aos prefeitos. As prefeituras têm autonomia para decidir se vão acompanhar o cronograma estadual. Para as escolas se prepararem, o governo disponibilizou R$ 50 milhões para a compra de equipamentos e itens de higiene", completou o governador paulista.

Foco no monitoramento

Rossieli Soares, secretário estadual de Educação, também comentou sobre a volta às aulas presenciais e afirmou que o governo terá uma atenção especial ao monitoramento de alunos e profissionais em casos de contaminação pelo coronavírus.

"À medida que a escola começa a ter testagem, vamos ter monitoramento. Mas sempre que necessário haverá testagem. No mundo inteiro a educação trabalha com monitoramento. Mais importante do que testar é monitorar, para que o próprio teste surta efeito. Para assim tomarmos decisões a cada escola e município", explicou Soares.

O secretário anda minimizou as posições contrárias ao retorno das aulas, que vêm inclusive dos próprios sindicatos de professores, que chegaram a entrar na Justiça contra a volta marcada para esta semana.

"Nós temos reuniões com sindicatos, entendemos posições contrárias. Mas é retorno opcional, construído com a comunidade. Não há o que se falar de greve quando você tem opção de fazer o retorno ou não com a comunidade", disse o secretário.

"Todas as ações judiciais movidas para impedimento de retorno foram perdidas. Estamos calcados pelo poder Judiciário", completou Rossieli.

Preocupação com psicológico

Para o secretário estadual, o retorno também é importante para evitar os efeitos psicológicos que o período sem aulas presenciais tem provocado em alguns alunos. Por isso, Rossieli defendeu que mesmo alunos bem adaptados ao ensino remoto, com condições tecnológicas favoráveis, também devem considerar a volta às escolas.

"Ter condição ou não de acesso à tecnologia não pode ser único fator para dizer se o aluno deve ou não voltar. Temos alunos com níveis de depressão por não ter outro ambiente de socialização. Inclusive porque o ambiente principal de bullying, mesmo antes da pandemia, já era a internet", afirmou o secretário.

"Então, sempre que puder, com segurança, o retorno é fundamental. Por mais que tenha equipamento, o aluno não vai ter todas condições de um ambiente escolar. A OMS (Organização Mundial da Saúde) já falou de uma pandemia da depressão. Se for possível, envie seus filhos à escola com segurança. Acho que esse é o caminho", acrescentou Rossieli.