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Com alta de mortes por covid, Rio reabre escolas com baixa adesão

Nilceia Cunha e sua filha, aluna do Colégio Zaccaria, no Catete - Marcela Lemos/UOL
Nilceia Cunha e sua filha, aluna do Colégio Zaccaria, no Catete Imagem: Marcela Lemos/UOL

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

07/04/2021 14h53

Após uma briga judicial, escolas da cidade do Rio de Janeiro retomaram hoje (7) aulas presenciais. A reabertura ocorre em meio a críticas porque o estado registra aceleração na média de mortes por covid-19 --ontem (6), o índice era de 230 mortes, alta de 104% na comparação com duas semanas atrás.

Ao todo, 409 unidades da rede pública do município e parte dos colégios privados abriram as portas. Porém, a presença de alunos foi baixa. Há escolas que decidiram não retomar as atividades, mesmo com autorização da prefeitura e decisão judicial favorável à reabertura.

O Sinpro-Rio, sindicato que representa os professores de escolas particulares, estima que 10% dos colégios mantiveram as aulas remotas por entender que o Rio atravessa a pior fase de contaminação por covid-19 e por não haver vacinas disponíveis para os funcionários.

É o caso da escola Edem, em Laranjeiras (zona sul), que mantém a unidade fechada nesta semana. O colégio vai decidir se abrirá na semana que vem, após a divulgação dos dados epidemiológicos pela prefeitura. As aulas acontecem de forma remota.

Até as 8h de hoje, apenas dois alunos do ensino médio haviam chegado para assistir às aulas presenciais no colégio Pinheiro Guimarães, no Catete, também na zona sul. A estudante Mariana do Carmo, 13, do 8º ano, conta que, na turma dela, apenas seis alunos compareceram hoje.

"A maioria ainda prefere assistir às aulas de casa. Para mim, é muito difícil acompanhar online. Acho muito confuso, perco a concentração fácil. Moro em condomínio e fico ouvindo o barulho daqueles que estudam só à tarde. Ano passado foi um ano perdido. Me sinto melhor na sala de aula."

7.abr.2021 - Liceu Franco Brasileiro, em Laranjeiras, optou pelo retorno parcial - Marcela Lemos/UOL - Marcela Lemos/UOL
7.abr.2021 - Liceu Franco Brasileiro, em Laranjeiras, optou pelo retorno parcial
Imagem: Marcela Lemos/UOL

O Colégio Zaccaria, no Catete, também registrou baixo movimento. Nilceia Cunha, 47, mãe de uma aluna do 6º ano, avalia que é importante para crianças e adolescentes as escolas abrirem as portas.

"Cada família tem uma realidade diferente. Eu poderia manter minha filha em casa, mas atendemos um desejo dela em voltar para a escola e entendemos que isso é importante. A interação com os colegas, ter um tempo fora de casa. A gente entende que é um momento de adaptação."

Já o Liceu Franco Brasileiro, em Laranjeiras, optou pelo retorno parcial: até sexta (9), só abrirá as portas para alunos da educação infantil. Os demais estudantes poderão retornar às salas de aula a partir de segunda-feira (12), obedecendo ao revezamento de grupos de cada turma. Enquanto isso, as aulas acontecem de forma remota.

"É um ano bem complicado. De um lado as crianças precisando ir para a escola, do outro, o número de mortes e infectados aumentando. Tá difícil para todo mundo. Os pais também precisam trabalhar", diz Juliana Pinto, que é tia de um aluno e responsável por ele enquanto a mãe trabalha presencialmente.

Na escola municipal Vital Brasil, no Catete, que recebe alunos até o 5º ano e teve o horário de aulas reduzido, a frequência também foi baixa. Marta Carvalho, mãe de uma aluna de 7 anos, conta que foi impedida pela pandemia de voltar a trabalhar. "Preciso ficar em casa, não tenho com quem deixar a minha filha. Não tenho quem busque e quem pegue ela."

Briga na Justiça

Após o feriado de dez dias imposto para conter o avanço da pandemia de covid-19, a prefeitura do Rio autorizou a reabertura das escolas a partir da última segunda-feira (5). No entanto, uma decisão do Tribunal de Justiça suspendeu o retorno às aulas presenciais na noite de domingo (4).

A prefeitura recorreu da decisão e o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Henrique Carlos de Andrade Figueira, derrubou a liminar que impedia as aulas presenciais. Ele citou o aval do Comitê Científico da prefeitura e destacou que prevalece o respeito aos critérios utilizados pelo Executivo, a quem compete definir os planos de ação no combate à pandemia.