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Após demissão de coordenadora de avaliação, equipe do Inep entrega cargos

Pillar Pedreira/Agência Senado
Imagem: Pillar Pedreira/Agência Senado

Ana Paula Bimbati

Do UOL, em São Paulo

28/04/2021 17h06

Após a demissão da coordenadora-geral de Avaliação dos Cursos de Graduação e Instituições de Ensino Superior do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), Sueli Macedo Silveira, quatro dos seus cinco subordinados diretos, que ocupavam cargos comissionados, entregaram pedido de afastamento. As informações foram adiantadas pelo jornal O Globo e confirmadas por fontes ao UOL.

Em nota, o Inep disse que foi uma mudança mudança técnica (leia mais abaixo). A exoneração da coordenadora, que foi publicada hoje no Diário Oficial da União, não agradou a equipe. Sueli estava na autarquia havia mais de dez anos e assumiu a coordenação da área em 2016. Seu trabalho sempre foi respeitado entre os servidores e também no ambiente acadêmico.

A nova coordenadora da área é a médica veterinária Helena Cristina Carneiro Cavalcanti de Albuquerque. Segundo informações do seu currículo lattes, ela foi coordenadora-geral de Programas Internacionais da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível) e faz pós-doutorado em parceria com uma organização sem fins lucrativos "explorando políticas que possam incentivar a parceria entre indústrias e universidades".

Essa não é a primeira mudança e atrito dentro do Inep desde a entrada do ministro Milton Ribeiro na pasta, em junho passado. No início do ano, o responsável pelo MEC demitiu Alexandre Lopes, então presidente do Inep, após o Enem bater o maior recorde de abstenções de estudantes.

A área de Sueli, responsável por avaliação as instituições de ensino superior, é uma das que desperta interesse em Ribeiro, que tem o desejo de mudar as regras de avaliação das entidades privadas, segundo pessoas ouvidas pela reportagem.

A nomeação de Cláudia Mansani Queda de Toledo para a presidência da Capes também foi criticada na categoria. A imprensa chegou a revelar que havia trechos copiados na dissertação de seu mestrado. Ela admitiu a cópia, mas negou o plágio.

Segundo o Inep, as mudanças realizadas no cargos da diretoria de avaliação da educação superior fazem parte de um "processo de reestruturação e estão alinhadas com as perspectivas de um novo modelo de avaliação da educação superior". A autarquia afirmou que as escolas foram técnicas e os novos gestores têm "perfil capacitado" para entregar resultados.

"O presidente Danilo Dupas e o diretor Luís Filipe Grochocki fizeram a reestruturação objetivando a otimização de recursos da autarquia e melhorias nos procedimentos operacionais. Inclusive, dois servidores de carreira do Inep com excelente currículo técnico foram nomeados nas outras duas coordenações-gerais da diretoria", explicou em nota.

'Visão do presidente da República'

No início da semana, o UOL revelou uma reunião que o ministro fez com o atual presidente do Inep, Danilo Dupas, e os servidores da autarquia. Durante a conversa, Ribeiro chegou a falar que decisões tomadas no passado "não estavam em concordância nem com o ministro, muito menos com o senhor presidente". Na ocasião, o ministro pediu ainda que Dupas tivesse "sensibilidade" na hora de tomar decisões.

"Quando tiver os dois caminhos, escolha o mais próximo possível da visão que nós temos a respeito da gestão pública, [...] bem próxima da visão do presidente da República e da visão do ministro que ele colocou", disse Ribeiro.

Sete ex-ministros lançam manifesto

Em meio à crise no Inep, os ex-ministros da Educação Tarso Genro, Fernando Haddad, Cid Gomes, José Henrique Paim, Aloizio Mercadante, Mendonça Filho e Rossieli Soares lançaram um manifesto em defesa da autarquia.

Na carta, os ex-responsáveis pela pasta criticaram as cinco trocas na presidência da autarquia, desde o início do governo Bolsonaro, e a falta de nomeações técnicas. "O Ministério da Educação exclui constantemente o Inep de debates sobre a atuação de prerrogativa legal do órgão, como a reformulação do Ideb e as avaliações para medir a alfabetização das crianças no 2º ano do ensino fundamental", escreveram.

Por ser tão técnico, seu trabalho talvez não seja suficientemente conhecido pela população, mas asseguramos que é um pilar de sustentação da maior parte das ações do MEC. Sem um Inep capaz de cumprir suas funções, não haverá gestão responsável na educação do Brasil.
Manifesto de ex-ministros da Educação

O MEC quer realizar ainda este ano uma nova prova de alfabetização, mas sem a participação dos técnicos do Inep. O objetivo é avaliar com foco no método fônico (que relaciona o som e as letras), o que os técnicos não concordam.

A reportagem entrou em contato com o MEC, mas até o momento não teve respostas.