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Aluno sugere trabalho com tema LGBT e é rechaçado; família denuncia

Criança sugeriu trabalho com o tema LGBT em grupo da escola e, após ofensas, pediu apoio psicológico para irmã - Reprodução/Facebook
Criança sugeriu trabalho com o tema LGBT em grupo da escola e, após ofensas, pediu apoio psicológico para irmã Imagem: Reprodução/Facebook

Do UOL, em São Paulo

14/06/2021 13h11Atualizada em 14/06/2021 16h29

Um menino de 11 anos foi rechaçado em um grupo de WhatsApp da escola após sugerir para os colegas que a turma fizesse um trabalho com tema LGBT, em acordo com a celebração do mês do Orgulho LGBT, que acontece anualmente em junho. Segundo a irmã do menino, Danielle Cristina, a família registrou um boletim de ocorrência.

O caso aconteceu com alunos da Escola Estadual Aníbal de Freitas, na sexta-feira (11). Em publicação nas redes sociais, Danielle relatou que a criança recebeu uma ligação de uma suposta coordenadora pedindo para que ele retirasse a sugestão do grupo.

Ele foi massacrado com tanto preconceito, como se ele tivesse cometendo um crime."

"Uma senhora que se diz coordenadora da escola, chamada Marines, ligou para ele por volta das 20:30 da noite acabando com ele, falando para ele retirar o comentário que no caso foi uma 'sugestão de estudo' senão iria remover ele do grupo da escola. Falou para ele que era inapropriado, inadmissível. Que era um absurdo ele ter colocado aqui no grupo, que ele precisava de tratamento", escreveu Danielle.

A irmã ainda relatou que na hora viu o menino chorando e interveio na situação. "Comecei a falar com ela, perguntei quem era porque achei mesmo que fosse algum pai de outra criança que não gostou e queria falar, mas não. Era da escola. Ligando, falando absurdo, jogando preconceito na cara do meu irmão que é apenas uma criança."

"Cada um aqui sabe como criam os seus filhos, o meu irmão é somente um menino curioso, uma criança que tem muito o que apreender ainda, ele não é homossexual e mesmo que fosse todos precisam de respeito. Ele só sugeriu um tema para estudo, a direção da escola acabou com ele, jogou tanto preconceito, logo a escola que deveria ensinar dar o exemplo", defendeu.

Danielle ainda afirmou que o irmão ficou "triste" com toda a situação e que pediu "desculpas" pelo ocorrido, "como se ele tivesse feito algo errado", acrescentou.

A irmã informou que fez um boletim de ocorrência online e que está em busca de uma psicóloga que atenda o irmão pelo Sistema Único de Saúde (SUS), após pedido da criança.

Estado se pronuncia

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) afirmou em nota enviada ao UOL que "repudia qualquer tipo de preconceito, dentro ou fora do ambiente escolar."

A assessoria também informou que "um supervisor de ensino foi enviado à escola para apurar o caso e todas as medidas administrativas cabíveis serão tomadas".

O aluno deverá receber suporte da Equipe do Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar (Conviva SP). Segundo a Seduc-SP, existe um programa de psicólogos na educação que estão presentes em todas as escolas estaduais e que o atendimento para o estudante já foi disponibilizado.

"O respeito à diversidade faz parte do Currículo em Ação para que seja ensinado e aprendido nas escolas estaduais. Sempre dentro do contexto dos conteúdos escolares previstos para cada série e cada componente curricular. As escolas têm autonomia, dentro do seu projeto pedagógico, para organizar quando e de que forma essa temática será abordada", complementa o comunicado.

A Secretaria também informou que formou educadores de toda a rede recentemente com as Aulas de Trabalho Pedagógico Coletivo (ATPCs), "que acontecem toda semana, onde foram discutidos a discriminação e o preconceito e como abordar o tema dentro das escolas com seus alunos e equipe escolar."

"Como uma ação, a EE Aníbal de Freitas trabalha temas transversais, em parceria com a PUC Campinas, realizando diversas palestras relacionadas à temática LGBTQIA+, direcionadas à comunidade escolar. A administração regional e a direção da unidade estão à disposição dos pais ou responsáveis para quaisquer esclarecimentos", finaliza comunicado.

O UOL também entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo que informou que o boletim foi registrado no sábado (12) e que a "Polícia Civil apura todas as circunstâncias relacionadas aos fatos narrados no boletim de ocorrência".

O caso foi encaminhado ao 7º Distrito Policial de Campinas, onde a família deverá comparecer para dar mais detalhes.