PUBLICIDADE
Topo

Estagiários e "mães guardiãs" das escolas de SP não conseguem se vacinar

Segundo mãe guardiã, Diretoria Regional de Pirituba, na zona norte da capital, não liberou vacina contra covid - Divulgação/Prefeitura de SP
Segundo mãe guardiã, Diretoria Regional de Pirituba, na zona norte da capital, não liberou vacina contra covid Imagem: Divulgação/Prefeitura de SP

Ana Paula Bimbati

Do UOL, em São Paulo

25/06/2021 04h00

Embora o governo de São Paulo tenha anunciado a vacinação contra covid-19 para todos os profissionais da Educação no dia 11 de junho, estagiários de alguns colégios particulares e as mães guardiãs, contratadas pela Prefeitura da capital, ainda não conseguiram receber a primeira dose.

Segundo o relato de mães guardiãs ouvidas pela reportagem, as Diretorias Regionais de Pirituba e do Ipiranga não liberaram o cadastro para que elas recebam a vacina. "Precisamos de uma carta da escola para conseguir fazer o cadastro, mas a DRE não liberou e as diretoras que autorizarem serão multadas", disse Soraia Mesquita, que atua em uma escola da região do Ipiranga.

Para evitar fraude, os profissionais da Educação precisam se cadastrar no site Vacina Já. Quem atua na rede privada precisa anexar holerites, já os terceirizados precisam informar o CNPJ da empresa com contrato ativo. Quem trabalha em escola pública tem os dados integrados com Censo Escolar.

O programa das mães guardiãs foi lançado no começo do ano pela capital para que elas atuem na fiscalização dos protocolos sanitários e de distanciamento social nas escolas da rede. Elas recebem um salário de R$ 1.155 por mês, com contrato de seis meses.

Em nota, a Secretaria Estadual da Educação informou que as doses foram estimadas usando os dados do Censo Escolar de 2020 e como o programa ainda não existia, a pasta pede que a Prefeitura envie os dados das participantes. Por outro lado, a gestão de Ricardo Nunes (MDB) afirmou que segue o calendário e as orientações do estado, que inclui funcionários terceirizados, "entre eles as mães guardiãs".

Essa não foi a orientação recebida por Karen da Silva, que trabalha em uma escola da região de Pirituba. Por e-mail, uma funcionária da diretoria regional disse que não tinha informações sobre a situação de vacinas para esse público.

"Ninguém sabe quais critérios estão usando para quais mães podem tomar. Cada diretoria segue de uma forma", contou Karen, que vai até a escola todos os dias.

Contrariando o estado, a prefeitura informou que as mães do programa podem se cadastrar anexando a carta de encaminhamento do CATE (Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo) e o memorando contendo o nome completo, CPF e RG. É preciso ter a assinatura e carimbo do gestor da escola.

As mães lidam com todas as crianças na escola, têm contato com todos os funcionários. Estamos muito mais expostas."
Soraia Mesquita, mãe guardiã

O município informou que reforçou as orientações com todas as Diretorias Regionais de Educação.

Estagiários dizem que cadastro não é validado

Já estagiários que trabalham com diferentes turmas nas aulas presenciais informaram à reportagem que até conseguem fazer o cadastro, mas não têm ele validado. "A norma técnica do governo diz que podemos ser vacinados, mas o próprio governo não libera o QR code [que é necessário para liberar a vacina no posto de saúde]", contou uma das estagiárias.

O UOL confirmou com três colégios essa situação. A Escola Mobile, na zona sul, disse que não tem conseguido autorizar os cadastros no sistema. "Diante da demora da aprovação dos cadastros, a escola está em contato permanente com a Delegacia de Ensino e com os estagiários em questão", afirmou.

O Albert Sabin informou que 74 estagiários aguardam a validação do estado. No colégio Pentágono, a situação também se repete.

Por outro lado, os jovens aprendizes do colégio Santa Maria, por exemplo, também já conseguiram se vacinar.

A pasta gerenciada por Rossieli Soares não explicou o critério para validar os cadastros, apenas informou que os profissionais da Educação estão liberados para preencher as informações no site, mas "não há prazo para o envio do QR Code", nem para validação do cadastro.

As escolas esperam a vacinação de todos os funcionários para planejar o retorno das atividades presenciais com segurança no segundo semestre.