Topo

Esse conteúdo é antigo

Em Brasília, grupo protesta em frente ao FNDE após denúncias no MEC

Grupo protesta em frente ao FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) - Reprodução / Redes Sociais
Grupo protesta em frente ao FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) Imagem: Reprodução / Redes Sociais

Do UOL, em São Paulo

06/04/2022 15h59Atualizada em 06/04/2022 15h59

Um grupo de militantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) realizou hoje, em Brasília, um protesto em frente ao prédio do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), ligado ao MEC (Ministério da Educação).

O ato aconteceu em meio às suspeitas de superfaturamentos em ônibus escolares e de pedidos de propinas em barras de ouro no caso dos 'pastores lobistas'.

Cantando "educação não interessa, o que importa é eleição, o MEC virou moeda de negociação", o grupo se mostrou contrário à influência dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura no direcionamento de verbas no ministério. Eles também protestaram contra o sobrepreço de ônibus escolares em edital do FNDE.

No protesto, alguns manifestantes caracterizaram-se de diretores do fundo e de alunos da rede pública. Eles ainda utilizaram alegorias de ônibus, urnas eletrônicas e moedas de ouro. No ato, também foi escrita a frase "aqui fica o Bolsolão do Busão [sic]" em uma placa do prédio.

A reportagem do UOL entrou em contato com o MEC para buscar um posicionamento sobre o protesto. O texto será atualizado assim que houver resposta.

Pastores no MEC

Em áudio divulgado há duas semanas pelo jornal Folha de S.Paulo, o então ministro da Educação, Milton Ribeiro, afirmou que o governo federal prioriza a liberação de verbas a municípios que eram indicados pelos pastores Gilson Santos e Arilton Moura —que não têm vínculo formal com o MEC, mas negociavam recursos para obras de creches, escolas e quadras.

"Foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a questão do [pastor] Gilmar", diz o ministro no áudio obtido pela Folha de S. Paulo.

O pastor Gilmar Santos negou ter recebido ou contribuído para o recebimento de propina. Pelas redes sociais, Santos eximiu Bolsonaro de culpa. "Gostaria de externar que nenhum pedido fora feito ao Excelentíssimo Senhor Presidente da República", afirmou. Ailton Moura não se manifestou.

O caso gerou a saída de Milton Ribeiro do ministério da Educação.

Pregão superfaturado de ônibus

FNDE anunciou um pregão eletrônico cujo objetivo é comprar até 3.850 ônibus, como parte do programa Caminho da Escola. Na previsão, o fundo se propôs a pagar até R$ 210 mil a mais por veículo.

No total, o impacto no valor de compra inicial era de R$ 732 milhões a mais que o previsto, segundo mostrou o jornal O Estado de S. Paulo, passando de R$ 1,3 bilhão para R$ 2,045 bilhões.

Em razão disso, o TCU (Tribunal de Contas da União) suspendeu ontem a homologação do processo para compra dos ônibus escolares pelo FNDE. O órgão alegou suspeita de sobrepreço no edital.

Para tentar salvar o pregão, o FNDE baixou na noite do dia anterior o valor máximo para adquirir os veículos para R$ 1,5 bilhão.