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Ameaça a servidores e Escola de Guerra: quem é o novo ministro da Educação?

Victor Godoy fez pós-graduação na Escola Superior de Guerra - Luis Fortes/MEC
Victor Godoy fez pós-graduação na Escola Superior de Guerra Imagem: Luis Fortes/MEC

Ana Paula Bimbati

Do UOL, em São Paulo

18/04/2022 11h32

O presidente Jair Bolsonaro (PL) oficializou hoje a nomeação de Victor Godoy Veiga como ministro da Educação efetivo, que estava no comando da pasta de forma interina desde 30 de março.

Antes dele, o lugar era ocupado pelo pastor presbiteriano Milton Ribeiro, que saiu em meio a denúncias de corrupção e a divulgação de um áudio em que afirma que o governo federal prioriza a liberação de verbas a prefeituras ligadas a dois pastores.

Formado em engenharia de redes de comunicação de dados pela UnB (Universidade de Brasília) e pós-graduado em Altos Estudos em Defesa Nacional na Escola Superior de Guerra.

Na Escola Superior do Ministério Público, especializou-se em globalização, justiça e segurança humana.

Servidor de carreira, trabalhou como auditor federal na CGU (Controladoria-Geral da União) desde 2004 até virar secretário-executivo do MEC em julho de 2020, quando Ribeiro passou a chefiar a pasta.

Segundo fontes ouvidas pelo UOL, deve conduzir o ministério seguindo o caminho de Ribeiro —sempre teve espaços privilegiados em reuniões e decisões do MEC.

Reportagem da Folha de S. Paulo reportou que ele foi o responsável por ameaçar servidores que tentassem levar para Polícia Federal a investigação da Unifil, de Londrina (PR).

O jornal apontou que Milton Ribeiro atuou nos bastidores a favor do centro universitário presbiteriano, denunciado por fraude no Enade 2019. Investigação do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) concluiu haver fortes indícios de fraude no curso de biomedicina. Provas da graduação teriam sido vazadas com antecedência.

Veja quem já passou pela pasta

Veiga é o quinto a assumir a pasta desde o início do governo Bolsonaro.

Antes de Ribeiro, Carlos Decotelli teve uma breve passagem pela pasta —pediu demissão com apenas cinco dias no cargo, após denúncias de irregularidades em seu currículo.

Antecessor de Decotelli, Abraham Weintraub deixou a função em junho de 2020, em razão da escalada da crise institucional causada por suas declarações contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

Antes deles, Ricardo Vélez Rodríguez, o primeiro nome à frente do MEC no governo Bolsonaro, teve uma gestão de apenas três meses, também marcada por polêmicas.

Especialistas ouvidos pelo UOL apontaram que as trocas quebram a possibilidade de uma gestão a longo prazo na pasta, desmontando e enfraquecendo o ministério.

Até o momento, o governo Bolsonaro teve quase 30 trocas de ministros. Mesmo antes de ter finalizado os quatro anos, o atual governo é o segundo que mais trocou ministros desde a redemocratização.