Origens do Inglês: História da língua inglesa

Assunto: Inglês

Celina Bruniera, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Quem vê a expansão da língua inglesa ao redor do mundo, sobretudo nos últimos 50 anos, pode não acreditar que a língua mais usada em transações comerciais hoje era falada por apenas algumas tribos germânicas no século 5 d.C.

Conhecer um pouco da origem das línguas significa entrar em contato com a história da humanidade, com as disputas políticas que marcam essa história e que revelam a alternância de poder entre tribos, povos e nações.

Essa alternância de poder pode ter resultado em imposições da língua de um povo a outros povos ou, ainda, em influências de uma cultura sobre outra por um determinado período. A língua que usamos hoje para nos comunicar é fruto desse movimento, desse contato entre os homens e de como se deram as relações sociais ao longo da história.

Influências variadas
A língua inglesa nasceu no atual território da Grã-Bretanha, uma terra amplamente desejada e invadida por povos diversos, o que resultou na multiplicidade de suas origens e de influências variadas. É considerada língua germânico ocidental, mas esteve sob influência latina e escandinava e, depois, normanda e francesa.

Os romanos deixaram a Grã-Bretanha em 410 e os primeiros anglo-saxões desembarcaram no ano 449. Foram os saxões os responsáveis por introduzirem no inglês os primeiros elementos do vocabulário latino. Isso porque esses povos germânicos haviam entrado em contato com os Romanos antes de abandonarem o continente e já haviam incorporado vocábulos latinos às suas línguas.

Marcas do latim
É fácil identificar as marcas de origem latina na língua inglesa. Encontramos ainda no inglês atual: copper (cobre) do latim cuprum (cobre), street (rua) do latim strata (via), dish (prato) do latim discus (disco, travessa), entre outros. Mas apenas as cidades se constituíram em focos de latinização, permanecendo os povos residentes no campo pouco suscetíveis ao contato com a cultura romana.

Um dos capítulos das sucessivas invasões da Bretanha e das influências deixadas na língua inglesa pelos povos invasores deve ser dedicado aos celtas. O povo celta é de origem indo-germânico. Saiu do Centro-Sul da Europa em ondas sucessivas e se espalhou por regiões da Espanha, Itália, Bretanha, Mar Negro, Balcãs e Ásia Menor. Na Bretanha, as pesquisas sugerem que eles ocuparam os vales, as terras mais férteis enquanto que os Bretões se instalam em lugares menos hospitaleiros, pantanosos ou mais elevados.

Resistência aos elementos celtas
Tanto em relação aos Bretões como em relação aos Saxões (povo de origem germânica que habitava a Saxônia, região da Alemanha entre o rio Reno e o mar Báltico, e que invadiu as terras da Grã-Bretanha), é muito provável que os celtas tenham se mantido distantes, por dificuldade de comunicação. Houve, e isso é o que se sabe, uma resistência significativa da língua inglesa em integrar elementos celtas, o que se verifica no pequeno número de palavras célticas antigas no inglês.

A ausência de interlocução entre celtas e saxões é evidente e pode ser notada por meio do uso das palavras. O termo saxão para designar os celtas, por exemplo, era Wealas (os "estrangeiros"). Esse termo deu origem à palavra Welsh por meio da qual, em inglês, hoje se designa os galeses. Os celtas, por sua vez, chamavam a todos os seus inimigos de saxões.

Escandinavos, provenientes da Dinamarca e da Noruega, começaram a fazer incursões à Bretanha no final do século 8, onde se juntaram e se misturaram com os povos de língua anglo-saxônica, ora de forma pacífica, ora violenta durante dois séculos. Por suas línguas contarem com uma origem comum (germânica), houve grande compreensão entre os povos e as influências mútuas são bastante evidentes até o ponto de alguns pesquisadores considerarem que houve uma fusão delas. O fato da 2ª pessoa do verbo "ser" (are) ser de origem escandinava pode indicar a fusão, na medida em que não eram partilhados apenas vocábulos, mas também formas gramaticais.

Nobreza da França
Em 1066, Guilherme, o Normando, venceu o rei dos Saxões e se tornou rei da Inglaterra. Instalou sua corte e distribuiu terras entre os nobres provenientes da França. Assim, o inglês foi afastado da corte em favor da língua francesa. Como o latim continuava a ser a língua dos eruditos, três línguas se encontravam presentes no território inglês. O uso dessas línguas delineava as camadas sociais: o latim era a língua do saber e da escrita, o francês (na verdade, a língua normanda e não o francês propriamente dito) era falado pelo grupo social dirigente e o inglês era a língua das camadas sociais mais baixas.

O francês falado na Inglaterra nos tempos da conquista normanda era muito especial e era denominado anglo-normando. Dessa língua, floresceu uma literatura muito particular, sobretudo nos reinados de Henrique 2o e Henrique 3o, da dinastia Plantageneta.

Celina Bruniera, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação é mestre em Sociologia da Educação pela USP e assessora educacional para a área de linguagem.

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