Mackenzie divulga nota contra Lei da Homofobia; OAB fala em "postura da Idade Média"
Rafael Targino
Em São Paulo
A Universidade Presbiteriana Mackenzie divulgou em seu site, na última semana, uma nota em que se dizia contra a Lei da Homofobia. De acordo com o comunicado, assinado pelo chanceler [reitor] Augustus Nicodemus Lopes, “ensinar e pregar contra a prática do homossexualismo (sic) não é homofobia, por entender que uma lei dessa natureza maximiza direitos a um determinado grupo de cidadãos.” A lei torna crime manifestações contrárias aos homossexuais.
Segundo o Mackenzie, “as Escrituras Sagradas, sobre as quais a Igreja Presbiteriana do Brasil [controladora da instituição] firma suas crenças e práticas, ensinam que Deus criou a humanidade com uma diferenciação sexual (homem e mulher) e com propósitos heterossexuais específicos que envolvem o casamento, a unidade sexual e a procriação”.
O texto foi retirado do ar durante o feriado da Proclamação da República. A assessoria de imprensa do Mackenzie não disse o motivo pelo qual ele não está mais disponível no site.
Nota oficial do Mackenzie
"O pronunciamento sobre o PL 122 é da Igreja Presbiteriana do Brasil, Associada Vitalícia do Mackenzie, feito em 2007, e se encontra em seu site.
O Mackenzie se posiciona contra qualquer tipo de violência e descriminação (sic) feitas ao ser humano, como também se posiciona contra qualquer tentativa de se tolher a liberdade de consciência e de expressão garantidas pela Constituição."
Nesta terça (16), a assessoria de imprensa da instituição enviou ao UOL Educação outra nota em que afirma que “o pronunciamento sobre o PL 122 [Lei da Homofobia] é da Igreja Presbiteriana do Brasil, Associada Vitalícia do Mackenzie, feito em 2007, e se encontra em seu site.” No entanto, no comunicado emitido no site do Mackenzie na última semana, o chanceler afirma que “o manifesto presbiteriano sobre a homofobia (...) serve de orientação à comunidade acadêmica.”
Indignação
A nota indignou grupos de defesa de direitos dos homossexuais e especialistas na área. Para o presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Jayme Asfora, a postura do Mackenzie “lembra tempos da Idade Média”. “[A universidade está] Formando seus alunos na base do preconceito, da discrminação, indo de encontro à Constituição Federal. Ela prega, como um dos seus maiores princípios, a isonomia, a igualdade. Todos são iguais perante a lei”, afirma.
Para o presidente do GGB (Grupo Gay da Bahia), Marcelo Cerqueira, essa é uma postura “esperada” do Mackenzie. “É uma questão de consciência. O que move essa questão do Mackenzie é uma posição reacionária”, afirma. No comunicado, a universidade utiliza o termo “homossexualismo”, que deixou de ser usado por se referir à homossexualidade como doença.
O Mackenzie, na nota enviada ao UOL, diz também que “se posiciona contra qualquer tipo de violência e descriminação (sic) feitas ao ser humano, como também se posiciona contra qualquer tentativa de se tolher a liberdade de consciência e de expressão garantidas pela Constituição”.
O UOL Educação pediu uma entrevista com o chanceler Augustus Nicodemus Lopes, mas o Mackenzie disse que iria se pronunciar por meio de nota.
Criacionismo
O Mackenzie, em 2008, assumiu oficialmente, nas aulas de ciências, a posição criacionista –que defende que foi Deus quem criou o universo. A direção da instituição, na época, afirmou que não negava os avanços da biologia vindos do darwinismo, mas que precisava também, mostrar que existe outra explicação, de fundo religioso, para a origem das espécies.
Leia mais
- Livros de ensino religioso em escolas públicas estimulam homofobia e intolerância, diz estudo
- Escolas e colegas são hostis a alunos e alunas homossexuais, aponta pesquisa
- Polícia instaura inquérito para apurar homofobia em jornal de estudantes da USP
- Faculdade abrirá sindicância para apurar jornal com incitação à homofobia
- Justiça de SP determina abertura de processo contra publicação que incitou homofobia na USP
- Pesquisa revela que 87% da comunidade escolar tem preconceito contra homossexuais
Últimas de Educação
Ver mais notíciasGreve tem adesão de pelo menos 7 em cada 10 professores em universidades da região Norte
Na região Norte, a adesão à greve das universidades federais chega a, pelo menos, 70% do contingente, segundo os...
Tutores de programa de EAD do MEC reclamam de bolsa de R$ 765 e de falta de vínculo empregatício
Tutores da UAB (Universidade Aberta do Brasil), programa do governo federal para a oferta de EAD (Ensino a Distância),...
Inscrições do vestibular 2013 da UFMG começam em 13 de agosto; taxa será de R$ 100
A UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) publicou nesta terça-feira (22) o edital do vestibular 2013. As inscrições...
Ex-aluno invade escola em Uberlândia (MG) e ameaça diretores e professores
Um ex-aluno, hoje com 22 anos, invadiu nesta terça-feira (22) uma escola estadual de Uberlândia, 556 quilômetros de Belo...
Professores da UFRJ aderem à greve nacional; pelo menos 41 universidades estão paradas
Os professores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) decidiram, nesta terça-feira (22), entrar em greve por...
Secretário do MEC defende inscrição no sistema de ensino técnico por meio da internet
O secretário de Educação Tecnológica do MEC (Ministério da Educação), Marco Antonio de Oliveira, disse hoje (21) que o...
Na Argentina, estudantes terão de prestar 40 horas de trabalho comunitário para obter diploma
UOL Educação: Professores da Unifesp de Guarulhos não aderiram à greve
Diferentemente do informado, os professores do campus de Guarulhos da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) não...
Professores da Unifesp aderem à greve nacional; pelo menos 40 universidades estão paradas
Professores de cinco campi da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) decidiram entrar em greve nesta terça-feira (22)...
Professores da rede privada de Pernambuco realizam assembleia para decidir se entram em greve
Milhares de pessoas protestam em Barcelona contra cortes na educação
BARCELONA, 22 Mai 2012 (AFP) -Cerca de 3.000 pessoas, segundo a polícia, e mais de 18.000, de acordo com os organizadores,...
Índice de abandono escolar é três vezes maior no 6º ano do ensino fundamental
Nas primeiras séries do ensino fundamental (1° ao 5 ano), apenas 1,5% das crianças abandona a escola ao longo do ano...


