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Sem verba, universidades do PR correm risco de fechar as portas

Edgard Matsuki

Do UOL, em Brasília

23/02/2015 15h00

Professores parados, funcionários terceirizados a ponto de serem dispensados e ameaça de corte de energia elétrica. Este é o cenário da crise que as universidades estaduais paranaenses têm enfrentado em 2015. 

A situação ainda pode ficar pior, de acordo com Aldo Bona, presidente da Apiesp (Associação Paranaense de Professores de Ensino Superior Público). Ele aponta que, se o governo não repassar R$ 124 milhões das despesas de custeio, quatro das sete universidades públicas podem fechar as portas antes mesmo do início do ano letivo. 

De acordo com Bona, as instituições são a Unespar (Universidade Estadual do Paraná), Uenp (Universidade Estadual do Norte do Paraná), Unioeste (Universidade Estadual do Oeste) e Unicentro (Universidade Estadual do Centro-Oeste), instituição na qual ele é reitor. 

As universidades fechariam por falta de quadro de funcionários fixos e condições de contratações: “Precisamos do dinheiro para pagar terceirizados (limpeza, manutenção e vigilância) e estagiários. Sem a verba, não há como os pagar e sem eles não dá para atender o público. No caso da Unicentro, vamos dispensar 220 terceirizados e 330 estagiários se o impasse não for resolvido até sexta-feira (27)”, alerta. 

Além do problema para cobrir a folha de pagamento, as universidades estaduais paranaenses também enfrentam problemas para cobrir despesas de manutenção como, por exemplo, a conta de luz. “Na Unicentro (que fica na cidade de Guarapuava), já recebemos dois avisos de corte de energia elétrica. Estamos sem pagar o relativo ao ano passado”, diz Bona. 

Reunião pode resolver impasse

A solução para a crise pode vir de uma reunião nesta terça-feira (24) entre os reitores das estaduais e o governador Beto Richa (PSDB). De acordo com o secretário estadual de Ciência e Tecnologia, João Carlos Gomes, há otimismo por parte do governo. “Não vemos nenhum risco de fechamento. Claro que a situação é delicada, mas resolvida. Esperamos, até abril, repassar 30% do custeio. Mas vamos conversar”, diz. 

Apesar da perspectiva dos 30% da pasta de Ciência e Tecnologia, até o momento foi confirmado o repasse, por parte da Secretaria de Fazenda, de apenas R$ 2,4 milhões e a perspectiva de liberação de mais R$ 9 milhões para custeio das instituições. 

Mesmo que a questão do repasse de custeio seja resolvida, ainda não há previsão de início das aulas para as universidades do Paraná. Os professores estaduais continuam em greve até que sejam resolvidas outras questões, que também estão relacionadas com o corte de verbas do Executivo como, por exemplo, o corte de R$ 8 bi de verbas de docentes.