Para o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, acelerar a queda do analfabetismo depende de medidas que atraiam os adultos para escola, além do combate às desigualdades sociais e raciais. Segundo ele, os programas atuais já atingiram os objetivos e precisam de renovação.
"As estratégias não conseguem mais surtir efeito", afirmou. "Mesmo em São Paulo, o Estado mais rico, há um grande contingente de analfabetos. As pessoas não acreditam que possam voltar ao mundo do conhecimento. Para alcançá-las são necessárias campanhas, mais recursos e uma gestão melhor", acrescentou Daniel.
Segundo dados da
Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2008, o Brasil possui 14,2 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais. Com essa idade, o indivíduo já teria terminado ou estaria terminando o ensino fundamental. A pesquisa foi divulgada nesta sexta-feira (18) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Políticas multisssetoriais
Na opinião de Maria Clara Di Pierro, professora da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo), é preciso um conjunto de políticas multissetoriais.
A professora diz que as últimas políticas educacionais voltadas aos analfabetos têm escopo muito reduzido, uma vez que não criam condições favoráveis para que essas pessoas consigam se alfabetizar. Para encorajá-los, ela aponta a necessidade de haver políticas articuladas entre a Educação e outras áreas, como Saúde e Desenvolvimento Social.
O analfabetismo, segundo o Observatório da Equidade do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), está ligado à falta de acesso à educação e à desigualdade na distribuição de renda. O problema ocorre com maior intensidade no Nordeste, nas áreas rurais e atinge mais as pessoas que ficaram menos tempo na escola.
"A persistência do analfabetismo é apenas sintoma desse conjunto de problemas que a sociedade não conseguiu enfrentar ainda", alerta Maria Clara.
Analfabetismo de 10 a 14 anos
Pelo Brasil, ainda há 492 mil crianças de 10 a 14 anos que não conseguem redigir bilhetes simples. O analfabetismo atinge 2,8% desta faixa etária no país. Isso significa que, a cada mil crianças, 28 são analfabetas.
O Nordeste é a região que tem, proporcionalmente, mais crianças em fase escolar analfabetas - ao todo, 5,3% da faixa dos 10 aos 14 anos. Segundo o consultor em educação da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) no Brasil, Célio da Cunha, o número é preocupante. "O Brasil continua fabricando analfabetos", diz.
Mesmo com o quadro insatisfatório, houve melhora de 2007 para 2008. A proporção, segundo a pesquisa anterior era de 3,1% - 0,3 pontos percentuais maior. Na contramão das estatísticas gerais do país, aparecem as regiões Sul e Sudeste - nas duas houve aumento do percentual de analfabetos (de 1% e 0,9%, respectivamente, para 1,3%).
*Com informações da Agência Brasil e do UOL Educação- Leia mais
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