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Para sindicato, mudança de funcionários para escritórios fora da USP é para "desmobilizar" oposição

Ana Okada

Em São Paulo

31/03/2011 00h01Atualizada em 31/03/2011 14h07

A transferência de funcionários da USP (Universidade de São Paulo) para escritórios fora da Cidade Universitária, na zona oeste de São Paulo,  é o atrito mais recente entre reitoria e funcionários.

 

De acordo com Magno de Carvalho, diretor do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo), cerca de 1.500 funcionários que ficavam nos prédios das chamadas "nova" e "antiga" reitoria foram remanejados para prédios fora do campus sem que houvesse discussão prévia sobre isso na comunidade acadêmica. Na prefeitura do campus, 500 servidores foram para outros prédios dentro da Cidade Universitária. Para Carvalho, "o objetivo é desmanchar um setor que é combativo" em greves e paralisações.

As contas da reitoria trazem outros números. Segundo sua assessoria de imprensa, foram remanejados somente 425 servidores, sendo 125 para o Centro Empresarial, localizado no bairro de Santo Amaro, na zona sul da cidade, e 300 para outros locais fora do campus. Os últimos têm previsão de retornarem à Cidade Universitária após a conclusão de obras anunciadas no início do ano, tais como um centro de convenções, um centro de difusão internacional e a reforma do Anfiteatro Camargo Guarnieri.

Para Carvalho, essas ações são "parte de um projeto estratégico" que visa "desmanchar" serviços que não estejam ligados a ensino e pesquisa, terceirizando-os no futuro. Como exemplo disso, ele cita o número de funcionários contratados na prefeitura: "A prefeitura tinha 1.700 funcionários nos anos 90, e hoje tem 500. A universidade cresceu, o natural seria que o pessoal aumentasse."

Falta de democracia
A "briga" entre Rodas e as entidades de trabalhadores da instituição começou na última greve de servidores, quando as três universidades paulistas quebraram a isonomia salarial que havia entre professores e funcionários, dando aumento somente para os docentes. Processos sofridos pelo Sintusp e por estudantes devido à ocupação da reitoria também preocupam o sindicato. "Queremos preparar a maior luta da história da Universidade", afirmou Carvalho.


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