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Cerrado - A savana mais rica do mundo

Guilherme Andrade/UOL
Parque Estadual da Serra Dourada, em Goiás Imagem: Guilherme Andrade/UOL

Luiz Carlos Parejo

(Atualizado em 11/12/2013, às 17h38)

O cerrado brasileiro, também conhecido como savana brasileira, está localizado predominantemente no Planalto Central do Brasil.

O cerrado é o segundo maior bioma do país, depois da floresta Amazônica. Ocupa cerca de 20 a 25% do território nacional ou 2 milhões de quilômetros quadrados e compreende os Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Piauí, o Distrito Federal, Tocantins e parte dos Estados da Bahia, Ceará, Maranhão, São Paulo, Paraná e Rondônia. Ocorre também em outras áreas nos Estados de Roraima, Pará, Amapá e Amazonas.

  • Área de distribuição original do cerrado

O cerrado é uma formação mista: com árvores, arbustos e vegetação rasteira associados. As árvores apresentam galhos e troncos retorcidos, raízes profundas, casca grossa, formas que lembram uma vegetação adaptada a falta de água (pseudoxerófita, mas o fator limitante do crescimento não é a falta de água e sim a acidez dos solos tropicais).

O Cerrado brasileiro é reconhecido como a savana mais rica do mundo em biodiversidade com a presença de diversos ecossistemas, riquíssima flora com mais de 10.000 espécies de plantas, sendo 4.400 endêmicas desse bioma, caducifólia ou decídua (as folhas caem durante a estação seca do ano).

Solos ácidos e queimadas naturais

Os galhos retorcidos, característicos desta formação, estão relacionados, segundo alguns pesquisadores, à presença de solos ácidos e/ou à ação de queimadas naturais relacionadas ao acúmulo de matéria orgânica seca sobre o solo que, ao se incendiar, acaba queimando os brotos das árvores e provocando o aparecimento de novos brotos laterais (algumas sementes do cerrado só germinam depois de queimadas e algumas flores só florescem depois de queimadas) e/ou à variação de períodos secos e chuvosos (característico do clima semi-úmido) e/ou da dificuldade de se obter água de áreas mais profundas do solo (a tortuosidade dos galhos facilitaria esta tarefa).

Em caso de queimadas freqüentes (geralmente provocadas pela ação humana) o dano é inevitável pois não permite a recuperação da vegetação.

Junto aos rios apresentam-se as matas galerias ou ciliares que podem ser caracterizadas como uma formação florestal densa e alta que acompanha os cursos fluviais de médio e grande porte, onde a copa das árvores não forma galerias sobre a água. As árvores têm altura predominante entre 20 e 25 metros.

Clima e laterização

O clima predominante é o tropical semi-úmido ou tropical continental ou tropical alternadamente seco e úmido ou tropical típico, caracterizado por apresentar temperaturas altas que variam de, aproximadamente, 18º C em média, no inverno, e 25º C, no verão. A pluviosidade é de 1.500 mm ao ano, mas com chuvas concentradas no verão e estiagem no inverno.

Esta variação entre períodos secos e chuvosos resulta na formação de solos lixiviados (quando os nutrientes e material mais fino do solo são retirados pela água das chuvas) o que reduz a fertilidade natural e provoca a formação de uma camada de ferro e alumínio acumulados lentamente. Este fenômeno é chamado de laterização e resulta na formação da crosta laterítica ou ferruginosa.

Ele ocorre durante o período das chuvas, quando o ferro e o alumínio são dissolvidos e levados pela água, e durante a seca, quando a menor velocidade de escoamento e da percolação da água no solo faz o ferro e o alumínio se acumularem nestas camadas ou crosta. Como resultado da formação desta crosta relativamente impermeável a água das chuvas não se infiltram tão profundamente e aceleram a lixiviação e tornam os solos ácidos.

Chapadas

No planalto Central predominam as chapadas, geralmente de origem sedimentar, com topos amplos e planos e bordas escarpadas, o que favorece a mecanização da agricultura (a expansão da agricultura é hoje a principal causa do desmatamento do cerrado). Outra formação é constituída por afloramentos calcários (relevo cárstico), com grutas e cavernas em diferentes tamanhos e extensões.

São conhecidas mais de 1.500 espécies de animais. Trata-se, portanto, do maior conjunto de animais do planeta Terra. O aumento da presença humana e o ,conseqüente, desmatamento vem levando à destruição de diversos habitats e à ameaça de extinção de várias espécies.

Luiz Carlos Parejo é professor de Geografia em colégios privados e cursos pré-vestibulares. <a href=mailto:pagina3@pagina3ped.com>pagina3@pagina3ped.com</a>

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