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Mata dos Cocais - Babaçu e carnaúba são fontes de recursos

Ângelo Tiago de Miranda

(Atualizado em 15/01/2014, às 16h20)

A Mata dos Cocais é uma zona de transição entre as florestas úmidas da bacia Amazônica e as terras semi-áridas do Nordeste brasileiro.

Na verdade, separando as formações vegetais brasileiras, há faixas de transição que constituem unidades paisagísticas nas quais se misturam características das vegetações vizinhas, ou, ainda, áreas onde a falta de estabilidade das condições ecológicas originou uma interação entre elementos naturais bem diferentes das formações vegetais circundantes.

No caso da Mata dos Cocais, ela abrange, predominantemente, o Meio-Norte (sub-região formada pelos estados do Maranhão e do Piauí), mas distribui-se também pelos estados do Ceará, do Rio Grande do Norte e de Tocantins.

No lado oeste, que abrange o Maranhão, o oeste do Piauí e o norte de Tocantins, a região é um pouco mais úmida devido à proximidade com o clima equatorial superúmido da Amazônia, sendo mais frequente a ocorrência de uma espécie de palmeira, o babaçu. Na área menos úmida, que abrange o leste do Piauí e os litorais do Ceará e do Rio Grande do Norte, predomina outra espécie de palmeira, a carnaúba.

A Mata dos Cocais é classificada como uma formação florestal, mas, na realidade, constitui uma formação vegetal secundária, por seu acentuado desmatamento. Desde o período colonial, a região é explorada economicamente pelo extrativismo de óleo de babaçu e a cera de carnaúba. Atualmente, porém, vem sendo desmatada pelo cultivo de grãos voltados para a exportação, com destaque para a soja.

Carnaúba

A carnaubeira (Copernicia cerifera), espécie típica do Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, é uma palmeira que atinge, em média, 20 metros de altura e aparece em terrenos alagáveis ou agrupa-se nas várzeas de rios. Como tudo dessa palmeira pode ser aproveitado (tronco, folhas, fruto, palmito, raízes e as sementes), é conhecida como "árvore da providência".

O mais importante fator de renda para os extrativistas é a cera extraída das folhas, que é utilizada na fabricação de cosméticos, ceras industriais e domésticas, graxas, lubrificantes, discos, filmes fotográficos, papel carbono e outras aplicações.

De acordo com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), somente a coleta e o processamento da cera da carnaúba empregam mais de 200 mil trabalhadores dos três estados nordestinos (Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte).

  • Wikimedia commons

Babaçu

A palmeira do babaçu (Orbyania martiana) apresenta a sua principal área de ocorrência nas faixas de transição limítrofes da floresta latifoliada equatorial. É encontrada em maior quantidade nos estados do Maranhão e do Piauí.

Achando-se na dependência de solos mais úmidos, localiza-se, na maioria das vezes, nos vales, formando grandes manchas e não formações contínuas. As matas de babaçu são identificadas sem dificuldade na paisagem.

Essa palmeira chega a atingir 20 metros de altura e dá de dois a seis cachos de coquilhos, dentro dos quais encontramos amêndoas.

Representa o babaçu uma grande e importante fonte de recursos no campo do extrativismo vegetal, em especial no Estado do Maranhão, pois o óleo extraído de suas amêndoas é muito utilizado em diversas indústrias (sabão, margarina, produtos químicos, etc.). A casca do coquilho também tem valor comercial, sendo aproveitado como biomassa na produção de energia.

Somente no Estado do Maranhão, a extração da amêndoa existente no babaçu chegou a envolver mais de 300 mil famílias. A dificuldade até hoje encontrada de serem utilizados meios mecânicos para quebrar o coquilho (que é extremamente duro) vem, entretanto, impedindo um maior aproveitamento dessa riqueza natural.

  • Divulgação

    Imagem do documentário 'Quebradeiras'', de Evaldo Mocarzel, que mostra a cultura das quebradeiras de coco de babaçu da região do Bico do Papagaio (área dos territórios do Maranhão, Tocantins e Pará)