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Em Rio das Ostras, quadro tem apenas 70% dos professores necessários

Carolina Farias

Do UOL, no Rio

07/03/2013 06h00

Em Rio das Ostras, o quadro docente da UFF (Universidade Federal Fluminense) tem apenas 70% dos professores necessários, segundo o diretor da unidade Ramiro Piccolo. Para ele, a falta de professores e de prédio próprio são os problemas mais graves da unidade.

No campus, cerca de 2.500 estudantes têm aulas dentro de contêineres.

Para cobrir a falta de docentes, há aulas com mais alunos do que o devido e professores com carga horária excedente. “Eu temo pela minha formação. No estágio que deveria ter no máximo 15 alunos tem 20. Como faltam professores, quem deveria dar duas aulas dá quatro. Aí eles só dão aulas, não conseguem trabalhar em pesquisa. A qualidade cai muito”, afirmou Raylane Walker, 22, que faz o 6º período de serviço social.

O caso mais problemático é do curso de psicologia, cuja próxima turma a completar as aulas pode não terminar a graduação.

“O curso de psicologia precisa de espaço para os alunos fazerem o estágio avançado, os atendimentos, o que exige um prédio e não temos esse prédio porque eles está há dois anos ‘quase pronto’”, disse o diretor. O prédio deve ficar pronto neste ano.

Desde quando foi criada, em 2003, a unidade nunca teve um prédio para abrigar toda a estrutura para ministrar seus seis cursos - ciência da computação, enfermagem, engenharia de produção, produção cultural, psicologia e serviço social.

Atrasos

O polo nasceu de uma parceria da UFF com a Prefeitura de Rio das Ostras, que assinou um convênio para que a universidade se instalasse lá com o auxílio da administração municipal. Mas, com as mudanças de governo, disse Piccolo, o campus sofreu consequências.

“Nos últimos seis anos atrasou tudo, principalmente o prédio principal que precisava de desapropriação de terreno, aprovação de obra, uma série de coisas. Agora, essa gestão está mostrando vontade de consolidar a parceria”, afirmou o diretor.

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Piccolo explicou que desde 2007 o projeto para o prédio principal, que abrigaria os 2.500 alunos, 150 professores e 50 servidores, já estava pronto. A verba para a construção vinda do MEC (Ministério da Educação) e da prefeitura foi depositada em 2009, mas, até hoje, o projeto não saiu do papel.

“Hoje, o que foi depositado, não dá mais nem para um quinto das obras por causa da inflação e da especulação imobiliária”, afirmou o diretor. São necessários R$ 25 milhões para a construção do edifício.

Mas o imbróglio continua. Um prédio para abrigar 15 salas de aula de maneira provisória está em construção há oito meses e parou recentemente por causa de um embargo na Justiça. Piccolo explicou que a prefeitura deixou de pagar um dos lotes onde fica a futura edificação e o proprietário entrou na Justiça. Segundo o diretor, o pagamento foi feito pela atual administração e a Justiça será comunicada em breve para desembargar as obras.

Por enquanto os alunos continuam a ter aulas dentro de contêineres. “Eu acho horrível. Por dentro é branco, o ar-condicionado deixa muito gelado. É muito barulhento porque é uma caixa de lata. Cai um lápis e faz o maior barulho. A fiação elétrica é dentro da sala”, disse Raylane.

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