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Ufop é pichada após evento da calourada da "Oficina de Siririca"

Intervenção estava prevista, mas fugiu ao controle - Arquivo pessoal
Intervenção estava prevista, mas fugiu ao controle Imagem: Arquivo pessoal

Douglas Couto

Do UOL, em Ouro Preto

19/09/2014 21h27Atualizada em 19/09/2014 22h47

O prédio do ICSA (Instituto de Ciências Sociais Aplicadas) da Ufop (Universidade Federal de Ouro Preto) teve suas paredes pichadas na madrugada de quinta para sexta-feira (19) no município de Mariana, interior de Minas Gerais.

As pichações eram de frases em defesa da liberdade sexual e de expressão -- em alguns casos com palavras obscenas. Na noite de quinta, havia um sarau cultural planejado na semana de recepção dos calouros e o vandalismo ocorreu depois desse evento. Havia uma intervenção prevista no evento.

A reportagem apurou que a ação havia sido autorizada pela direção do Instituto, mas que saiu do controle.

Esta semana, um outro evento da calourada chamou a atenção se tratar de uma roda de conversa sobre masturbação feminina ("Oficina de Siririca"), organizada pelo centro acadêmico de serviço social da Ufop.

Evento previa algumas intervenções, mas saiu do controle segundo alguns dos presetes - Arquivo pessoal
Evento previa algumas intervenções, mas saiu do controle segundo alguns dos presetes
Imagem: Arquivo pessoal

Críticas

A estudante de jornalismo, Anna Gonçalves, 19 anos,  criticou a atitude dos colegas. “Não consigo entender como dizeres de baixo calão podem transmitir uma mensagem de liberdade de pensamento”, disse a estudante.

“Todos ficamos chocados com o que vimos. Parece que escreveram coisas piores, teve até pintura durante a noite para escondê-las”, afirmou a funcionária técnica-administrativa Tatiana Hundrel Diastor Silva.

Para amenizar a situação, durante a madrugada, um funcionário da vigilância, por iniciativa própria, resolveu apagar os palavrões pichado pelos alunos. “Enquanto ele pintava dizia que a Ufop não se manifestou, mas que era uma falta de respeito com a população, que ninguém era obrigado a ver as baixarias escritas na parede e que ali é uma área de muito movimento de crianças”, comentou uma estudante que preferiu não se identificar.

Outro lado

Por meio de sua assessoria, a direção do ICSA (Instituto de Ciências Sociais Aplicadas) divulgou nota de esclarecimento sobre as atividades desenvolvidas pela Calourada Vermelha e centro acadêmico do curso de Serviço Social. No documento, assinado pela diretora em exercício, Juçara Gorski Brittes, o instituto pede desculpas às comunidades (marianense, acadêmica e todos que se sentiram ofendidos pelos textos registrados nas paredes do ICSA).

"A diretoria do ICSA compreende o pluralismo de ideias que existe dentro da Universidade, que é considerado democrático. E acredita, também, que se o movimento foi considerado excessivo, tem a virtude de estabelecer o debate sobre liberdade de expressão".

A direção do ICSA informa, ainda, que foi providenciada a exclusão dos textos na parede frontal e que será realizado um debate para tratar do tema. A discussão será promovida em data e horário a ser definido.

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

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