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Alunos ocupam reitoria da Unicamp em protesto contra corte de verbas

11.mai.2016 - Estudantes ocupam a Universidade de Campinas (Unicamp) desde a noite da terça-feira (10), em Campinas (SP) - Denny Cesare/Código 19/Estadão Conteúdo
11.mai.2016 - Estudantes ocupam a Universidade de Campinas (Unicamp) desde a noite da terça-feira (10), em Campinas (SP) Imagem: Denny Cesare/Código 19/Estadão Conteúdo

Thiago Varella

Colaboração para o UOL, em Campinas (SP)

11/05/2016 09h39

Um grupo de estudantes da Unicamp ocupou o prédio da reitoria da universidade por volta das 23h de terça-feira (10) em protesto, principalmente, contra o plano de cortes no orçamento da instituição anunciado em abril.

Os estudantes decidiram pela ocupação e pela greve geral durante assembleia geral também realizada na noite de terça-feira e que contou com a presença de cerca de 1.000 pessoas.

Na manhã desta quarta-feira (11), cerca de 200 estudantes ocupavam o prédio. Segundo informações da coordenação do movimento, cada instituto da Unicamp fará plenárias para discutir o andamento da ocupação, as pautas específicas de reivindicações e a maneira como irá protestar.

Os estudantes estão ainda preparando um documento oficial com todas as reivindicações para enviar ainda nesta quarta-feira para a reitoria.

"Ocupa tudo"

Em nota divulgada nas redes sociais, o grupo, que se intitula "Ocupa Tudo Unicamp", afirma que o plano de contingenciamento "significará o corte de cerca de R$ 40 milhões do orçamento da Unicamp. Esse corte congelará os concursos, a contratação de professores e funcionários e afetará a carreira docente. A continuidade das obras, a manutenção de prédios e o atendimento à infraestrutura da universidade serão paralisados."

Os estudantes também temem que serviços como o de transporte fretado e de cópias de impressão sejam cortados. Além disso, os alunos reclamam que a moradia estudantil já não é mais suficiente para a demanda de novos estudantes e que, com os cortes, o plano de ampliação não será colocado em prática.

Os alunos que ocupam a reitoria também exigem que as bolsas que garantem a permanência de diversos estudantes na universidade não sejam reduzidas.

"O corte fortalece também o racismo estrutural da universidade, mantém a restrição do acesso da juventude negra à Unicamp, que continua sendo a "diferentona", por não possuir uma política de cotas étnico-raciais. Não aceitaremos nenhum desses ataques, por isso ocupamos a reitoria e queremos que todas as nossas reivindicações sejam atendidas", diz a nota.

Resposta da Unicamp

Em nota, a reitoria da Unicamp afirma que foi "surpreendida com a ocupação de suas instalações, que incluem as pró-reitorias, no campus de Campinas". A instituição afirma desconhecer a motivação do ato e estranha que a ocupação tenha ocorrido sem reivindicação prévia por parte dos manifestantes.

Ainda segundo a nota, a administração está avaliando a situação para tomar as medidas cabíveis. Por fim, a Unicamp avisa que "todas as atividades de ensino, pesquisa e extensão funcionam normalmente".

Em nota publicada no final de abril, a universidade afirmou que foram tomadas medidas de contenção de gastos para "enfrentar as dificuldades apresentadas atualmente pela economia" e que são resultado de um acordo estabelecido com os diretores das unidades de ensino e pesquisa e da área de saúde da Unicamp.

Segundo a instituição, houve um baixo crescimento de arrecadação do ICMS paulista e há a expectativa de queda nas receitas oriundas do Tesouro do Estado para 2016, principais fontes de receitas da Universidade.

Por conta disso, o corte de verbas chega a R$ 40 milhões. A reitoria decidiu fechar 100 vagas de reposição para docentes e oito para pesquisadores, cortar em 50% os gastos com manutenção, em 40% o valor destinado ao pagamento do serviço de impressão e cópias, em 50% o valor aprovado para investimentos em tecnologia nos órgãos da administração central e em 20% das unidades que integram a área de saúde, e ainda reduzir em 95% os investimentos previstos para a manutenção do Colégio Técnico da Unicamp, o Cotuca.

Haverá também contenção de 50% das vagas na área da saúde e de 25% nas vagas para a reposição em todos os institutos e faculdades, além de redução de 30% do pagamento de horas-extras e de sobreaviso, e em 10% nas unidades de Saúde.

A Unicamp decidiu também por cortar 68 vagas livres e outras 48 existentes para pesquisadores e docentes Especiais e de Magistério Superior em todos os órgãos e reduzir em 50% os recursos para promoções, progressões e concursos.

Na semana passada, um grupo de estudantes já havia ocupado o prédio principal da Faculdade de Educação (FE) da Unicamp. Eles suspenderam por dois dias todas as atividades acadêmicas e administrativas da FE.