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Após curso EAD, ex-caminhoneiro troca estradas por escritório

Astor João Feyh, ex-caminhoneiro fez curso a distância de logística - Tarla Wolski/UOL
Astor João Feyh, ex-caminhoneiro fez curso a distância de logística Imagem: Tarla Wolski/UOL

Colaboração para o UOL

12/12/2018 04h00

Por 20 anos, Astor João Feyh, 46, morador de Chapecó (SC), passou a vida na estrada. Como caminhoneiro, já transportou de frios a produtos químicos. Depois de concluir um curso técnico de logística a distância no fim do ano passado, ele conseguiu trocar a boleia do caminhão pelo escritório.

Feyh diz que trabalhava como caminhoneiro contratado pela distribuidora de produtos químicos Buschle & Letter S.A, quando foi aconselhado por seu gerente a buscar qualificação profissional. Seguiu a orientação, e, logo que se formou no curso feito no Senac EAD, foi promovido a programador de entrega. Com o novo cargo, seu salário teve um aumento de 15%.

Por estar sempre viajando, o curso a distância foi uma mão na roda. Durante quase dois anos, em todas as paradas do caminhão, ele ligava o computador para estudar. "Eu estudava na hora do almoço, quando parava para descansar à noite, ou quando chegava em casa, depois de um dia inteiro de trabalho. Eu sabia que, quanto mais estudasse, mais rápido eu terminaria o curso e melhoraria de vida."

A mudança de função, no início, foi puxada. O ex-caminhoneiro chegou a acumular as duas funções até que encontrassem outro motorista para substituí-lo. O esforço compensou. Há um ano, segue o horário comercial e, com isso, pode curtir mais a família. Astor é casado e tem três filhos: Jefferson (24), Jeysson (21) e Kelvin (5). "Por estar sempre viajando, eu não vi meus dois filhos mais velhos crescerem. Toda a infância deles, eu estava na estrada. Hoje, tendo um endereço e horário fixo de trabalho, eu consigo ter mais contato com o meu caçula e curtir tudo o que não pude com os demais. Isso é muito gratificante."

A ascensão profissional, segundo ele, só começou. Feyh já tem em vista mais uma promoção. No ano que vem, assumirá o posto de supervisor operacional na empresa. "Muita gente acha que após os 40 anos se está velho demais para estudar ou mudar de vida. Eu consegui isso e incentivo outros funcionários da empresa a fazerem o mesmo. Eu tive um mentor que me orientou e tenho feito isso com outras pessoas que trabalham comigo, porque sei a importância que o estudo teve em minha vida", conta.

Após a conclusão do curso, Astor assumiu um cargo administrativo e garantiu um salário maior - Tarla Wolski/UOL
Após a conclusão do curso, Astor assumiu um cargo administrativo e garantiu um salário maior
Imagem: Tarla Wolski/UOL

"A profissão de caminhoneiro exige muito do profissional e tem prazo de validade. Com o passar do tempo, a vida vai ficando cada vez mais difícil porque não temos mais um bom condicionamento físico para carregar e descarregar um caminhão. Por isso é importante querer mudar e buscar subsídio para que isso aconteça o quanto antes. Eu me dediquei, estudei e sei que isso é possível. É só ter força de vontade", completa.

Os planos de Astor continuam. O próximo passo é fazer um curso de graduação, também a distância. "Ainda estou avaliando qual será o meu próximo curso, mas sei que não pretendo mais parar de estudar", sinaliza.

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