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Dinheiro do MEC sustenta "escolinha dos sem terrinha", diz ministro

Pedro Ladeira/Folhapress
09.abr.2019 - Posse do novo ministro da Educação, Abraham Weintraub Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

2019-04-25T16:45:51

25/04/2019 16h45

O novo ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou hoje que, se depender dele, não haverá mais recursos para o que chamou de "escolinha dos sem terrinha", em referência ao MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra).

Sem citar números, o chefe da pasta, que substituiu o colombiano Ricardo Vélez no começo do mês, declarou que a destinação de verbas públicas seguia, até então, "viés ideológico".

"A gente está chegando ao governo e vendo que muitos recursos públicos estavam indo para áreas que têm forte viés ideológico. Muitas escolas 'sem terrinha' são sustentadas com dinheiro do povo, do contribuinte, do pagador de imposto. Você aí está pagando mais caro o leite do seu filho, uma parte desse imposto, ICMS, acaba indo para a escolinha dos 'sem terrinha'. Isso tem que acabar", disse.

"Quer fazer, faz com o dinheiro deles. Não com o nosso", completou.

Weintraub recebeu hoje a visita do presidente Jair Bolsonaro (PSL) na sede do MEC, em Brasília. O mandatário endossou o discurso do subordinado e pediu a palavra para cumprimentar o ministro e comentar o que chamou de "dado alarmante".

Bolsonaro narrou ter tomado conhecimento, após conversa com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que muitos homens brasileiros têm o pênis amputado em razão da falta de higiene.

"Ele [Mandetta] deu um dado alarmante: quando se fala em higiene, no Brasil, ainda nós temos 1.000 amputações de pênis por ano por falta de água e sabão", declarou o presidente. Disse ainda que é preciso "ajudar essas pessoas", "conscientizando-as". "Como é triste para nós essa quantidade de amputações que nós temos por ano."

A declaração inusitada de Bolsonaro foi dada logo depois que Weintraub defendeu a ideia de que é necessário dar fim a uma suposta "divisão" entre os brasileiros.

"Acabou isso de dividir os brasileiros. Somos todos brasileiros. Depois de sermos todos brasileiros, podemos ter diferentes protetores solares, quilombolas, índios. Mas antes de tudo, todo mundo é brasileiro. Acabou isso de querer dividir a gente. A gente é um país só. Uma nação só."

"Metas agressivas"

Após o encontro com Bolsonaro, Weintraub anunciou que o ministério traçará "metas agressivas", mas não quis adiantar o teor delas. Respondeu apenas que irá às comissões de educação do Senado e da Câmara dos Deputados para explicitá-las.

Em linhas gerais, o chefe do MEC comentou que o principal objetivo é "melhorar tecnicamente e conceitualmente a educação brasileira". "Ênfase na pré-escola e na educação básica. Tem que melhorar a capacidade de leitura das nossas crianças. A capacidade de fazer conta, matemática, regra de três."

Fiel ao mesmo princípio, Bolsonaro afirmou esperar do subordinado uma gestão que "entregue na ponta da linha um bom brasileiro". "Uma meta nossa é: os nossos filhos têm que ser melhores do que nós", disse o presidente, revelando ainda que passará a visitar toda semana um ministério diferente.

Para Weintraub, além da percepção de que é preciso acabar com o que chama de "viés ideológico", o MEC buscará "focar na técnica". "A gente precisa focar em melhorar no Pisa. Não podemos ficar tão para trás de outros países da América Latina. Isso é um absurdo. É uma vergonha."

Assim como havia feito em seu discurso de posse, o ministro também criticou Paulo Freire, morto em 1997, que é tido por muitos educadores como uma referência na área da pedagogia. "Por que a gente não pode discutir as coisas aqui? É dogma?", questionou. "Aquele cara lá, o Paulo Freire. Aquele cara ali. Aquele mural, está vendo aquele mural? Eu acho que é dogma. A gente não pode discutir? Tudo que ele falou é certo? Vamos apresentar números e evidências."

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