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Manifestações fecham Paulista, têm bombas no Rio e se espalham pelo país

15.maio.2019 - Manifestantes sentaram na avenida Paulista e fecharam uma das principais vias de São Paulo - Luciana Quierati/UOL
15.maio.2019 - Manifestantes sentaram na avenida Paulista e fecharam uma das principais vias de São Paulo Imagem: Luciana Quierati/UOL

Bernardo Barbosa, Luciana Quierati, Talita Marchao, Hanrrikson de Andrade, Marina Lang e Vinicius Konchinski

Do UOL, em São Paulo, Rio, Brasília e Curitiba

15/05/2019 21h57

A primeira grande manifestação nacional enfrentada pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) reuniu multidões de estudantes, professores e funcionários da área da educação nos 26 estados e no Distrito Federal hoje durante 16 horas. Universidades e escolas públicas e privadas participaram das paralisações, que começaram por volta das 5h, no Ceará. Por volta das 13h, já haviam se espalhado por todos os estados do Brasil.

A Polícia Militar não deu estimativas da quantidade de participantes dos atos espalhados pelo país. Foram registrados enfrentamentos com policiais em três capitais: Porto Alegre, Brasília e Rio de Janeiro.

No capital fluminense, onde foi realizado um dos maiores atos do país, manifestantes jogaram rojões e houve repressão com bombas de gás lacrimogêneo no fim do protesto na região central da cidade, já nos arredores da Estação Central do Brasil. Um ônibus foi incendiado. Não houve feridos.

Protesto no Rio tem rojão e bomba de gás lacrimogêneo - Reprodução
Protesto no Rio tem rojão e bomba de gás lacrimogêneo
Imagem: Reprodução

Em Porto Alegre, a polícia usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar estudantes que protestavam na região da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Ninguém ficou ferido. Já em Brasília, os policiais perseguiram a pé dois rapazes que, na versão da corporação, foram identificados como os responsáveis pelo lançamento de um rojão. Eles foram detidos e levados para a 5ª DP. Um terceiro homem foi preso por suspeita de ter jogado uma pedra contra carros da polícia.

Em São Paulo, a manifestação terminou de forma pacífica. Em frente à Alesp, encerrando o evento, lideranças das universidades e dos professores conclamaram os manifestantes a trabalharem nas próximas semanas para conseguir mais adeptos, nas instituições de ensino, em casa com a família e no trabalho, para uma greve geral no dia 14 de junho. Já a UNE (União Nacional dos Estudantes) fez convocação para um novo dia de protestos daqui a duas semanas, no dia 30.

O tom do protesto foi similar em todas as cidades do país, cheios de cartazes improvisados e ironias em relação às afirmações feitas por Bolsonaro e pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub. Muitos dos cartazes e gritos também faziam referências às milícias.

Manifestações pela educação reúnem avôs, universitários e estreantes

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As manifestações por todo o Brasil ocorreram no mesmo dia em que Bolsonaro desembarcou nos EUA em sua segunda viagem ao país desde que tomou posse.,Bolsonaro afirmou que os protestos de hoje foram feitos por "idiotas úteis" e "massa de manobra". Segundo o presidente, os alunos que foram às ruas "não sabem nem a fórmula da água". No mesmo dia, o ministro da Educação prestou esclarecimentos aos deputados da Câmara sobre os cortes na pasta.

Pano de chão com rosto de Guedes e "levante de livros"

Em São Paulo, a mobilização começava ainda no metrô, usado pelos manifestantes para chegar até o Masp (Museu de Artes de São Paulo), de onde partiu o ato. Durante toda a tarde, a avenida Paulista permaneceu fechada. Além de universitários e professores, muitas famílias com crianças e idosos participaram da manifestação, que também reuniu representantes de entidades estudantis, sindicalistas e partidos políticos.

Das lideranças que discursaram, apenas o ex-ministro da Educação Fernando Haddad (PT) foi bastante aplaudido pela multidão. Os demais líderes partidários e sindicais foram recebidos de forma menos entusiasmada. Integrantes de um dos grupos que tentaram entoar gritos de "Bolsonaro, vai tomar no c..." foram repreendidos pelos próprios colegas no protesto: "Aqui não vai ter isso", disseram. E continuaram com gritos de "Reage USP", "Luta" e "Resiste".

A discreta presença de partidos também foi notada no visual da manifestação em São Paulo. Participantes exibiram poucas bandeiras e faixas de legendas como PCdoB, PCO e PDT ao longo do protesto. Bandeiras e balões de sindicatos e movimentos estudantis eram mais frequentes e visíveis que os símbolos partidários, mas o que dominou a paisagem foram os cartazes de cartolina e papelão levados pelos manifestantes.

No Rio, antes da repressão na dispersão aos manifestantes, além dos cartazes satirizando falas de Bolsonaro e Weintraub, panos de prato ironizando os ministros da Justiça, Sergio Moro, e da Economia, Paulo Guedes, eram vendidos a R$ 10. Além disso, os participantes levavam cartazes em referência ao assassinato da vereadora Marielle Franco.

Em Brasília, também participaram do ato parlamentares, representantes de movimentos sociais e de partidos políticos e ativistas em geral. Em frente ao prédio do Ministério da Educação, manifestantes levantaram livros e cadernos em um gesto simbólico, batizado como "levante dos livros". Estudantes gritavam "mais livros, menos armas", em referência à política armamentista do governo, que publicou decreto flexibilizando a aquisição e o uso de armas e munições. Havia também mensagens contrárias à Reforma da Previdência e em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba.

Em Curitiba, além do corte na educação, cartazes também ironizaram a aproximação recente do governo brasileiro com os Estados Unidos. Manifestantes carregaram uma imagem do presidente Bolsonaro beijando o colega americano Donald Trump e ainda reclamaram dos acordos firmados entre os dois políticos: "O Brazil está matando o Brasil". Outro cartaz carregado por uma manifestante também fez menção à reforma: "Sou estudante e vou lutar pelo direito de me aposentar".

Manifestações contra cortes na educação ocorrem em todos os estados e DF

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