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Alunos ocupam sala há dois dias em protesto por vagas para transgêneros

Alunos protestam em universidade que teve vestibular para estudantes trans anulado - Divulgação
Alunos protestam em universidade que teve vestibular para estudantes trans anulado Imagem: Divulgação

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

18/07/2019 21h27

Há dois dias, estudantes da Unilab (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira) ocupam uma sala de aula do campus de Redenção (CE), a 85 quilômetros de Fortaleza, em protesto contra o cancelamento do primeiro vestibular para transgêneros e intersexuais.

Segundo o Diretório Central de Estudantes (DCE) da Unilab, 56 alunos dormiram de ontem para hoje no local. Eles afirmam que só sairão depois de o processo seletivo, que tinha objetivo de oferecer 120 vagas ociosas para candidatos trans, ser reaberto.

Há dois dias, o presidente Bolsonaro, que ouviu reclamação de representantes evangélicos, anunciou no Twitter o cancelamento do edital. Para os estudantes, o gesto mostrou ingerência sobre a autonomia universitária, garantida por lei.

"É mais um ataque transfóbico do presidente [Jair Bolsonaro] que visa perpetuar a exclusão deliberada de uma população extremamente marginalizada do acesso à educação", diz o DCE em nota.

"O corpo estudantil e docente precisa ser contra esse cancelamento do edital e dizer que o projeto, as funções, da Unilab, elas cumprem o objetivo que é uma universidade plural, multiétnica, que tenha como base a integração com os países da lusofonia afrobrasileira. É a defesa da universidade que está em jogo", afirma Geyze Anne da Silva, integrante do DCE.

Representante do Instituto de Ciências Sociais e Aplicadas, o estudante Matheus Maciel defendeu o protesto dizendo que o "edital é uma ação afirmativa de inserção de uma população historicamente excluída do ensino superior",

Estudantes do campus de São Francisco do Conde (BA) disseram que estão planejando manifestações também.

"Estamos nos articulando pra responder aos vetos do governo federal por meio de respostas voltada a priori em audio visual e conceituação", diz o estudante Fabricius Flores.

Universidade diz que edital feria lei

Em nota, a Unilab informou que o cancelamento do vestibular ocorreu após um parecer da Procuradoria Federal e que houve entendimento jurídico de que o edital feria a "Lei de Cotas e aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e da ampla concorrência em seleções públicas", afirma a universidade.

A instituição também diz que as aulas na Unilab ocorreram normalmente, pois apenas uma sala foi ocupada.

O vestibular oferecia 120 vagas para graduação, sendo 69 para o Ceará nos seguintes cursos de graduação: administração pública (5), agronomia (2), antropologia (10), ciências biológicas (2), enfermagem (6), história (10), humanidades (10) letras/língua Inglesa (1), letras/língua portuguesa (3), matemática (3), pedagogia (8), química (4) e sociologia (5).

Já para a Bahia, eram 51 vagas nos cursos de ciências sociais (8), história (8), humanidades (8) letras/língua portuguesa (9) pedagogia (8), e Relações Internacionais (10). A Unilab possui três campi e uma unidade acadêmica, sendo um campus na Bahia e dois no Ceará. Ao todo, a Unilab tem 5.402 estudantes matriculados.

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