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Cantando na chuva e sem "comunistinhas": os 3 meses de Weintraub no Twitter

Weintraub já publicou vídeo em que aparece com guarda-chuva para falar de "fake news" - Reprodução
Weintraub já publicou vídeo em que aparece com guarda-chuva para falar de "fake news" Imagem: Reprodução

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

24/07/2019 04h00Atualizada em 24/07/2019 12h22

No dia 5 de julho, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, revelou a seus seguidores no Twitter que uma "comunistinha" queria que ele a desbloqueasse na rede social.

"Meu Twitter, minhas regras", sentenciou o ministro, que em seguida explicou o que é necessário para ter acesso ao conteúdo publicado em sua conta: "não pode ser comunistinha e chato ao mesmo tempo (tenho que dar risada quando ler). Mantive o Cocada, o Dragão, a Tiburi e tantos outros...Estou sendo radical?", perguntou aos seguidores. Mais de 14 mil deles decidiram opinar.

O caso narrado por Weintraub é o da professora e antropóloga da UnB (Universidade de Brasília) Debora Diniz, que foi à Justiça para pedir que o ministro a desbloqueie no Twitter. O pedido foi protocolado por um grupo formado por 111 advogadas. Elas argumentam que, como o perfil de Weintraub é usado para divulgar informações públicas, que dizem respeito ao MEC, o bloqueio constitui censura.

Weintraub tem 174,3 mil seguidores. À frente do MEC (Ministério da Educação) desde abril, o ministro estreou sua conta no Twitter no dia 24 de abril --há exatos três meses-- ao retuitar uma postagem do perfil oficial da pasta que falava sobre o Dia Nacional da Libras (Língua Brasileira de Sinais).

Desde então, o ministro vem usando a rede social de forma cada vez mais assídua. Em suas publicações, Weintraub já falou de temas pertinentes ao MEC, como o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e o Sisu (Sistema de Seleção Unificada), apareceu tocando gaita e fez críticas contundentes ao PT.

Com 68 mil curtidas e mais de 112 mil retweets, a postagem que recebeu mais interações em seu perfil é uma comparação à utilização do avião presidencial pelos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT, ao transporte de drogas.

A afirmação foi feita dois dias após a prisão no aeroporto de Sevilha (Espanha) de um militar da Aeronáutica brasileira suspeito de transportar 39 kg de cocaína.

Mas o vídeo que mais viralizou --e é uma das postagens de Weintraub mais curtidas-- é o que ele aparece com um guarda-chuva, ao som de "Singin' in the Rain" [Cantando na Chuva], para reclamar de uma suposta "chuva de fake news".

O ministro retomou o conceito de "meu Twitter, minhas regras" e mandou avisar que, para quem quiser informação institucional, existe o perfil oficial do MEC.

Na última semana, ele se dedicou a fazer postagens sobre o Future-se, programa governamental para o financiamento das universidades federais, além de críticas ao movimento estudantil --que se mostrou contrário à proposta apresentada para o ensino superior.

Entre as publicações mais recentes, o ministro desabafou ao relatar ter sido hostilizado por pessoas que "dizem defender os direitos humanos". Weintraub, que passa uma semana de férias no Pará, se envolveu em uma discussão com manifestantes na noite de ontem.

Segundo a "Folha de S. Paulo", o ministro foi abordado por ativistas do Engajamundo, uma rede de jovens organizados pelo Brasil. Weintraub teria reagido ao ser abordado pelos manifestantes e pegado o microfone de músicos que se apresentavam no local, dizendo que estava de férias com a família para então disparar críticas contra o PT, Lula e até Che Guevara.

Ministro da Educação discute com manifestantes no Pará

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