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Prova com questões homofóbicas causa revolta entre alunos de escola no Pará

Prova com questões homofóbicas em escola no Pará - Arquivo Pessoal
Prova com questões homofóbicas em escola no Pará Imagem: Arquivo Pessoal

Hygino Vasconcellos

Colaboração para o UOL, de Porto Alegre

19/11/2019 13h40Atualizada em 21/11/2019 20h03

Resumo da notícia

  • Uma prova de língua portuguesa causou revolta entre pais e estudantes do Colégio Adventista de Correios, em Belém, no Pará
  • Sete questões chamaram a atenção pela abordagem homofóbica, como: "o que é homossexualismo?" e "como evitar o homossexualismo?"
  • O termo homossexualismo, que remete a doença, foi retirado da lista de doenças mentais em 1990 por decisão da Assembleia-geral da OMS
  • Em nota, o colégio disse que as questões tinham como objetivo colher opiniões e sentimentos e davam a cada um a oportunidade de expressar sua opinião
  • A instituição observou que "respeita todos os indivíduos sem qualquer tipo de discriminação sexual, racial, religiosa, ou de outra natureza"

Uma prova de língua portuguesa causou revolta entre pais e estudantes do Colégio Adventista de Correios, em Belém, no Pará, e acabou viralizando nas redes sociais. Sete questões chamaram a atenção pela abordagem homofóbica: "O que é homossexualismo?", "Isso é coisa moderna?", "Homossexualismo é doença ou opção sexual?", "A pessoa nasce ou se torna homossexual?", "A Bíblia condena a relação homossexual?", "Homossexualismo tem perdão?", "Como evitar o homossexualismo?".

O termo homossexualismo — que remete à relação sexual entre duas pessoas do mesmo gênero como doença — foi retirado da lista de doenças mentais em 1990 por decisão da Assembleia-geral da OMS (Organização Mundial de Saúde).

Segundo Herisson Lopes, 26 anos, irmão de uma estudante de 14 anos, a prova tinha caráter complementar, podendo os estudantes responderem em casa e entregar até hoje. Para fazerem o teste era preciso ler o livro "De Bem Com Você", de Sueli de Oliveira e Marcos de Benedicto, que, segundo o irmão da estudante, está no conteúdo programático da escola desde 2016. A prova foi aplicada para alunos do 9º ano.

A irmã de Lopes estava ontem fazendo a prova em casa junto com um colega de aula, e ficou irritada com as questões, o que chamou a atenção do irmão. "Ela estava muito indignada, eu sentei e perguntei o que estava acontecendo. E ali ela me mostrou a prova. Fiquei perplexo, é uma atrocidade. Sou gay, por isso fiquei mais indignado", conta ele. A prova tinha 50 questões, todas baseadas no livro exigido pela escola.

As perguntas polêmicas foram feitas na questão 35 da prova. Nela, os estudantes deveriam consultar o capítulo "Eros na contramão", que, segundo a prova, "trata do tema homossexualidade". O capítulo começa com o seguinte questionamento: "o que leva um rapaz ou uma garota a sentir atração sexual por alguém do mesmo sexo?".

A estudante chegou a responder a prova, mas não a entregou. Ao invés disso, foi com os pais e o irmão até a coordenação da escola na manhã de hoje. Segundo Lopes, a escola disse desconhecer a prova. "É impossível, como a pessoa não sabe o que está passando dentro de sala de aula", reclama.

Alunos ficaram revoltados com perguntas feitas em prova - Arquivo Pessoal
Alunos ficaram revoltados com perguntas feitas em prova
Imagem: Arquivo Pessoal

Para demonstrar a indignação, Lopes postou a questões polêmicas nos Stories do Instagram e, na manhã de hoje, o assunto já era um dos mais comentados do Twitter.

Procurada pela reportagem do UOL, a diretoria da escola salientou que iria se manifestar pela assessoria. Em nota, o colégio disse que as questões "tinham como objetivo colher as diversas opiniões e sentimentos sobre a temática em estudo e davam a cada estudante a oportunidade de expressar livremente sua opinião". Além disso, salientou que o uso do livro serviu de auxílio na tarefa, como ocorre em outras disciplinas.

A escola salientou que a tarefa requeria "conhecimento prévio do aluno" e "procura proporcionar um debate qualificado a respeito do assunto. A ideia é a de formar um cidadão que respeita opiniões diversas, bem como seja capaz de pensar por si próprio sobre as temáticas apresentadas". Por último, a instituição observou que "respeita todos os indivíduos sem qualquer tipo de discriminação sexual, racial, religiosa, ou de outra natureza".

Entretanto, a nota destaca que a escola é uma instituição confessional, ou seja, vinculada ou pertencente a igrejas ou confissões religiosas. "(O colégio) é reconhecido pela confiança e credibilidade que transmite, especialmente por apresentar uma proposta educacional de alta qualidade, pautada em valores baseados na Bíblia e direcionada a promover o desenvolvimento harmonioso das faculdades físicas, intelectuais, espirituais e sociais de cada aluno", destacou a nota.

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