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Integrantes da UNE e Ubes protestam contra Weintraub: "incompetente"

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

11/02/2020 14h56

Um grupo de cerca de 10 integrantes da UNE (União Nacional dos Estudantes) e da Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) protestou contra o ministro da Educação, Abraham Weintraub, hoje no Senado.

Ao final da Comissão de Educação, para a qual Weintraub foi convidado para explicar os erros ocorridos no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2019, os estudantes levantaram cartazes com desenho que mostrava o ministro como um cachorro submisso e gritaram palavras de ordem.

"Você desrespeita os estudantes e o cargo que você ocupa. Saia pela porta da frente ou vamos te tirar pela porta dos fundos. Você não respeita a educação", gritou um.

"Covarde. Tira a responsabilidade das coisas que você fez. Tem que ser punido pelo erro do Enem, seu incompetente", completou.

O ministro não revidou nem comentou o protesto. Ele saiu da comissão por uma porta privada reservada a autoridades.

Em momento de maior tensão, um dos integrantes do grupo discutiu com um dos agentes da Polícia Legislativa, responsável pela segurança no Senado. Mas, não houve registro de agressões físicas.

Após a audiência, Randolfe disse que Weintraub "não respondeu nada" e compareceu ao colegiado para "agredir parlamentares", sendo descortês com uma comissão externa da Câmara que apontou erros na gestão da Educação.

"Dados concretos do ministério dão conta de que foi a menor execução orçamentária [em 2019]. Mais de 50% dos contratos do MEC não têm licitação", disse.

"Se o melhor Enem de todos os tempos foi este [do ano passado], valha-me Deus. Um Enem em que mais de 170 mil estudantes reclamaram junto ao MEC", acrescentou.

Um dia após a divulgação das notas do Enem e depois de candidatos usarem as redes sociais para dizer que estranhavam os resultados, o MEC admitiu ter divulgado parte das notas com erros. Segundo o ministério, 5.974 candidatos receberam os resultados errados por um problema que teria acontecido na gráfica responsável pela impressão da prova.

Hoje, Weintraub voltou a minimizar o problema e disse que o erro afetou 0,15% dos inscritos que fizeram as provas no ano passado. "Não houve prejuízo a nenhum participante", disse o ministro, que mais uma vez afirmou ter feito o "melhor Enem de todos os tempos". "Eu não prometi que seria, mas foi o melhor Enem", declarou.

Apesar das afirmações de Weintraub, o Enem de 2019 teve uma série de problemas. A gráfica que era responsável pela impressão do Enem declarou falência, e uma nova foi contratada com dispensa de licitação; uma foto da prova de redação vazou durante a aplicação do exame; pelos erros no Enem, a divulgação do Sisu chegou a ser suspensa pela Justiça; e, mesmo após a proibição, uma lista de aprovados no Sisu foi vazada.

O Inep alegou que o erro foi provocado por uma das gráficas que imprimiram a prova. Os resultados do Enem e do Sisu, que permite o acesso de estudantes à universidade, foram divulgados após reparação das notas e brigas judiciais.

Ao longo da fala na comissão, Weintraub ainda acusou políticos, imprensa e grupos econômicos de fazerem "terrorismo" contra o exame.

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