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No Senado, Weintraub fala em "probleminhas" e terrorismo no Enem 2019

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

11/02/2020 12h14Atualizada em 11/02/2020 14h40

Resumo da notícia

  • Weintraub foi convidado a sessão da Comissão de Educação do Senado para explicar erros no Enem e no Sisu
  • Ministro minimizou erros e acusou políticos, imprensa e grupos econômicos de fazerem "terrorismo" contra o exame
  • Weintraub voltou a dizer que fez o "melhor Enem de todos os tempos"
  • Falhas na correção do exame foram parar na Justiça, que chegou a suspender o Sisu

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, minimizou hoje os erros do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2019, chamando-os de "probleminhas", e afirmou ter havido uma "linha extremamente terrorista" para desacreditar a prova por parte de políticos, da imprensa e de alguns grupos econômicos, sem citar nomes.

Weintraub participa hoje de uma audiência da Comissão de Educação do Senado. O ministro foi convidado a comparecer à sessão para explicar os erros no Enem e no Sisu (Sistema de Seleção Unificada), programa do governo que seleciona candidatos a vagas em instituições públicas de ensino superior.

Um dia após a divulgação das notas do Enem e depois de candidatos usarem as redes sociais para dizer que estranhavam os resultados, o MEC admitiu ter divulgado parte das notas com erros. Segundo o ministério, 5.974 candidatos receberam os resultados errados por um problema que teria acontecido na gráfica responsável pela impressão da prova.

Hoje, Weintraub voltou a minimizar o problema e disse que o erro afetou 0,15% dos inscritos que fizeram as provas no ano passado. "Não houve prejuízo a nenhum participante", disse o ministro, que mais uma vez afirmou ter feito o "melhor Enem de todos os tempos".

Eu não prometi que seria, mas foi o melhor Enem
Abraham Weintraub, ministro da Educação

Apesar das afirmações de Weintraub, o Enem de 2019 teve uma série de problemas. A gráfica que era responsável pela impressão do Enem declarou falência, e uma nova foi contratada com dispensa de licitação; uma foto da prova de redação vazou durante a aplicação do exame; pelos erros no Enem, a divulgação do Sisu chegou a ser suspensa pela Justiça; e, mesmo após a proibição, uma lista de aprovados no Sisu foi vazada.

Ao apresentar gráficos sobre o nível de percepção de candidatos em relação ao Sisu, ou seja, a satisfação perante o processo, o ministro disse que no primeiro dia da divulgação das notas "teve esses probleminhas, mas, a partir daí, se vocês notarem, foi muito próximo de 100%".

Weintraub afirmou reconhecer que a edição do Enem do ano passado não foi "perfeita", mas disse houve problemas em governos anteriores e criticou fortemente a imprensa e supostos militantes.

"É inequívoco que no Brasil, ao longo dos últimos anos, houve uma judicialização de questões políticas. Mesmo esse Enem, desde 2018, desde o começo do ano passado, houve a pretensão de paralisar o processo. Desde o começo do ano passado fala-se que não vai ter o Enem. E houve", disse.

"Porque o objetivo é gerar terror, desmobilizar a sociedade. [...] Desde o começo, alguns grupos parlamentares, alguns grupos econômicos e alguns meios de comunicação hegemônicos adotaram uma linha extremamente terrorista no processo", declarou.

O Inep alegou que o erro foi provocado por uma das gráficas que imprimiram a prova. Os resultados do Enem e do Sisu, que permite o acesso de estudantes à universidade, foram divulgados após reparação das notas e brigas judiciais.

O ministro disse que começou a perceber reclamações sobre as notas do Enem ao entrar no Twitter e ver pedidos de revisões por parte de estudantes que não pareciam "militantes" nem ter intenções "maldosas".

Weintraub no senado -  -

Segundo o ministro da Educação, houve três categorias de internautas que interagiram com a pasta nas redes sociais na época de pedidos de revisões de notas. A primeira seria de "militante que se passava por aluno" para perturbar a ordem e disseminar o que seria um caos no Enem. Estes foram descartados pela assessoria do MEC ao tentar identificar os alunos com supostos problemas nas notas, disse.

Ele também disse ter havido pessoas que não estavam entendendo o processo, posteriormente então orientadas. Por último, afirmou, houve aluno que foi mal e queria dizer que "a culpa foi do Abraham", referindo-se a si próprio em terceira pessoa.

"Os pais acionam [o MEC], a gente atende o pai e fala que, infelizmente, ficou para o próximo ano. Houve muito ruído", falou.

Weintraub afirmou que o Ministério da Educação atuou para corrigir os erros rechecando todas as provas e ninguém foi prejudicado, pois as notas já estavam arrumadas quando da inscrição do Sisu.

Imprensa tem má vontade, diz ministro

Na avaliação do ministro, parte da imprensa tem "má vontade" perante o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ele mostrou reportagens do G1, do Estadão e da Folha de S.Paulo que, segundo ele, apresentam o que seriam distorções e mentiras.

Embora houvesse pessoas com camisetas da UNE (União Nacional dos Estudantes) para acompanhar a audiência, não houve protestos quando o ministro apareceu. Marcada para as 11h, a comissão começou esvaziada.

Em primeira parte da fala, disse estar na comissão para "quebrar um pouco a chuva de fake news com a qual nos deparamos" e ter ficado mais calado nos últimos dias em respeito à Justiça, que analisava casos de eventuais erros.

Ao longo da fala na comissão, o ministro da Educação se centrou em reiterar ataques ao PT. Além de criticar edições passadas do Enem, ele disse que pretende investir R$ 1 bilhão recuperados da Operação Lava Jato em creches para 1,1 milhão de crianças no Norte e Nordeste.

Weintraub também se defendeu do direito de responder como preferir em seu perfil no Twitter. Conhecido por reagir a críticas de internautas com xingamentos, disse que seu comportamento faz parte do "jogo democrático".

A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) fez um apelo, em suas próprias palavras, para que o ministro seja menos polêmico no Twitter e consiga se dedicar mais ao dia a dia da pasta.

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