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Não podemos ser reféns da rede pública, diz sindicato de particulares de SP

Getty Images
Imagem: Getty Images

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

24/06/2020 18h04Atualizada em 25/06/2020 02h55

O Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo), sindicato que representa cerca de 10 mil escolas particulares em todo o estado paulista, divulgou hoje uma carta de repúdio ao anúncio de reabertura das escolas feito hoje pelo governador João Doria (PSDB), com previsão para o mês de setembro para todo o sistema de ensino.

O sindicato defende que as escolas particulares já estão prontas para retomar as aulas presenciais e diz que elas não devem ter suas condições comparadas às da rede pública. Segundo o Sieeesp, os colégios privados têm condições de adotar todos os procedimentos de segurança, higiene e saúde para a volta imediata de 20% dos alunos para as salas de aula, percentual menor do que o previsto no plano do governo, que é de 35%.

"A escola particular já vem se preparando não é de hoje: é desde o início da pandemia. Por isso, está pronta para adotar todos os procedimentos de segurança, higiene e saúde; já tem o seu protocolo devidamente discutido e elaborado por especialistas e médicos, com certificação de equipamentos, o qual segue estritamente todas as normas e regras oriundas da OMS [Organização Mundial da Saúde], autoridades de Saúde e Educação, e que está tornado público em nosso site. E, inclusive, com um porcentual de 20% de alunos no presencial, menor do que o anunciado hoje, de 35%", diz a carta divulgada pelo Sieeesp.

Benjamin Ribeiro da Silva, diretor do sindicato, afirmou ao UOL que esperava um anúncio de retorno para o mês de agosto para as escolas particulares e diz que essa previsão havia sido acordada com a Secretaria de Educação.

"O grande problema é o pai ou a mãe que voltou a trabalhar, com a economia voltando a funcionar, e que deixa o filho na escola, em berçário, em busca de um profissional qualificado para ficar com o filho. Essa é a grande pressão que temos hoje", afirma.

O texto divulgado hoje pelo Sieeesp diz ainda que "a escola particular não pode ser culpabilizada e nem ser refém do demorado tempo das redes públicas estaduais e municipais, que ainda não estão preparadas para promover a volta dos seus alunos à sala de aula".

Reabertura

O plano de reabertura das escolas prevê um retorno gradual das aulas presenciais. Em uma primeira etapa, programada para o dia 8 de setembro, as unidades de ensino poderão funcionar com 35% da capacidade máxima de alunos.

A confirmação da reabertura está condicionada à permanência de todas as cidades do estado na fase amarela (fase 3) do plano de flexibilização da economia, o chamado Plano São Paulo, por pelo menos 28 dias. De acordo com o governo, todo o estado retomará as aulas presenciais no mesmo dia.

A Abepar (Associação Brasileira de Escolas Particulares), entidade que reúne escolas de elite como o Colégio Dante Alighieri, Vera Cruz e Bandeirantes, irá se reunir amanhã para debater o plano anunciado por Doria.

Arthur Fonseca Filho, diretor da associação, diz que a Abepar participou em alguns momentos da elaboração do plano, mas não da definição do cronograma.

"É muito difícil, na minha opinião pessoal, pensar em um cronograma só para o estado inteiro", diz Fonseca Filho. Ele ressalta que esta é sua avaliação pessoal, e não a da entidade, já que os membros ainda não se reuniram para discutir o assunto.

Para Fonseca Filho, seria mais adequado se o cronograma fosse pensado de acordo com a chegada das regiões do estado na faixa amarela do Plano São Paulo -e não que se coloque como condição para a volta de todas as escolas que todos os municípios se encontrem nessa etapa.

Dessa forma, segundo ele, seria possível ter "um cronograma ajustado à condição de cada escola, seja ela pública estadual, pública municipal ou privada".

Outro lado

Procurada pelo UOL, a Secretaria de Educação de São Paulo disse lamentar as colocações do Sieeesp e afirmou que a crítica do sindicato "está pautada apenas em interesses próprios e econômicos".

Em nota, a secretaria afirmou ainda que "o governo de SP planeja este retorno pautado em medidas de contenção da epidemia, atendendo aos interesses da população e sem colocar nenhuma vida em risco".

"A definição da volta às aulas presenciais no estado de São Paulo acontecerá sempre pensando em proteger e salvar vidas", diz o texto.

Segundo a secretaria, foram realizadas quatro videoconferências com o sindicato, a Abepar e uma equipe da Secretaria de Desenvolvimento Econômico para a construção dos protocolos apresentados hoje.