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Sindicato não descarta greve de professores em SP após anúncio de retomada

Alex de Jesus/O Tempo
Imagem: Alex de Jesus/O Tempo

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

24/06/2020 17h28Atualizada em 24/06/2020 19h34

Presidente da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de SP), a deputada Maria Izabel Noronha (PT-SP) não descarta a possibilidade de greve pelos professores da rede estadual de ensino após o anúncio da retomada das aulas presenciais, feito hoje pelo governador João Doria (PSDB).

"Se tiver alguma retomada sem segurança sanitária, não há dúvida de que existe essa possibilidade", diz a presidente do sindicato, que classifica o plano de reabertura das escolas como "prematuro". Segundo ela, uma eventual mobilização "vai depender do andar da carruagem e de como o governo vai encaminhar essa retomada".

O plano de reabertura das escolas prevê um retorno gradual das aulas presenciais. Em uma primeira etapa, programada para o dia 8 de setembro, as unidades de ensino poderão funcionar com 35% da capacidade máxima de alunos.

A confirmação da reabertura está condicionada à permanência de todas as cidades do estado na fase amarela (fase 3) do plano de flexibilização da economia, o chamado Plano São Paulo, por pelo menos 28 dias. De acordo com o governo, todo o estado retomará as aulas presenciais no mesmo dia.

Na avaliação da presidente da Apeoesp, o plano de retomada é "prematuro". Nesse momento, segundo ela, não há garantia de que as escolas da rede pública terão condições de cumprir as condições necessárias de segurança e higiene para a reabertura.

"Uma preocupação é que há salas que não têm janela, têm vitrô, e há que ter cuidado com a circulação do ar. Vai ter todo um plano de obras até setembro?", questiona a deputada, que lembra ainda a necessidade de haver lavatórios próximo à entrada das escolas para a higienização das mãos.

"Tem escolas que acho que não vão conseguir funcionar. Vai ser preciso fazer uma parceria entre estado e os municípios para se ter um levantamento das condições dessas escolas", afirma.

Noronha diz ainda que um caminho possível para garantir a segurança de alunos, professores e funcionários seria a manutenção do ensino remoto até dezembro, como foi decidido por universidades como a USP (Universidade de São Paulo).

Segundo ela, o sindicato tem uma reunião agendada com o secretário estadual de Educação, Rossieli Soares, na próxima quinta-feira, dia 2 de julho, para falar sobre o tema.

Retomada é 'apressada' e 'irresponsável', diz sindicato

Para Celso Napolitano, presidente da Fepesp (Federação dos Professores do Estado de São Paulo), sindicato que representa os docentes da rede privada de ensino de São Paulo, a retomada é "apressada" e o protocolo apresentado pela gestão Doria não leva em consideração questões particulares do sistema educacional.

Napolitano critica o fato de, segundo o plano, as redes terem autonomia para decidir quais alunos voltarão primeiro para as escolas.

"As instituições de ensino privadas pressionam para que voltem principalmente os alunos de educação infantil, porque elas querem continuar recebendo essas mensalidades", diz. Ele afirma que pais de alunos do ensino infantil são os que mais pedem desconto ou que acabam retirando os filhos da escola pela falta de adaptação e de compreensão das atividades de ensino a distância.

Além disso, ele questiona as condições em que os alunos de todas as etapas de ensino voltarão para a escola. "Existe todo um aspecto psicológico e pedagógico", afirma. Segundo Napolitano, as entidades que representam os docentes não foram ouvidas para a elaboração do protocolo.

"Reivindicamos que, para a elaboração desses protocolos de retorno, participem também os representantes de educadores, para que a gente possa compor uma comissão multidisciplinar com psicólogos, pedagogos, fonoaudiólogos", diz. "As regras sanitárias são muito simples e conhecidas. Mas e todo o acolhimento que representa o retorno às aulas?", pontua.

Particulares criticam anúncio e dizem estar prontas para volta

O Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo), sindicato que representa cerca de 10 mil escolas particulares em todo o estado paulista, divulgou hoje uma carta de repúdio ao anúncio feito pela gestão Doria.

Segundo o sindicato, as escolas particulares já estão prontas para retomar as aulas presenciais e suas condições não devem ser comparadas com as das escolas públicas.

"A escola particular não pode ser culpabilizada e nem ser refém do demorado tempo das redes públicas estaduais e municipais, que ainda não estão preparadas para promover a volta dos seus alunos à sala de aula", diz o texto.

Benjamin Ribeiro da Silva, diretor do Sieeesp, diz que esperava o retorno para o mês de agosto e afirma que essa previsão havia sido acordada com a Secretaria de Educação.

"O grande problema é o pai ou a mãe que voltou a trabalhar, com a economia voltando a funcionar, e que deixa o filho na escola, em berçário, em busca de um profissional qualificado para ficar com o filho. Essa é a grande pressão que temos hoje", afirma.