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Cortella critica investimento em Defesa e defende volta às aulas só em 2021

Cortella afirmou que investir em educação é uma forma de se garantir a defesa - Reprodução
Cortella afirmou que investir em educação é uma forma de se garantir a defesa Imagem: Reprodução

Colaboração para o UOL, em São Paulo

17/08/2020 15h21

A previsão de que o Orçamento Federal para 2021 destine mais dinheiro para a área de Defesa do que a de Educação já repercute entre especialistas. Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, o Ministério da Economia estuda um projeto orçamentário para o ano que vem que destinaria R$ 108,56 bilhões para o Ministério da Defesa e R$ 102,9 bilhões para o Ministério da Educação.

Para o professor, filósofo e ex-secretário Municipal da Educação de São Paulo, Mário Sérgio Cortella, essa inversão de investimentos deve ser evitada pelo governo federal.

"Investir em educação escolar é uma das formas de se garantir a defesa. Porque uma sociedade mais escolarizada tem mais capacidade produtiva e mais conhecimento técnico. Daí que, se houver essa redução, ela é muito danosa em relação ao nosso futuro mais imediato [...] Acho que as pessoas que tem essa possibilidade, como o governo, de impedir que haja esse descompasso, seria bom evitá-lo", disse Cortella em entrevista hoje ao Programa Pânico, da Rádio Jovem Pan.

O filósofo lembrou que esse cenário já aconteceu durante o governo militar e as consequências são sentidas até os dias de hoje, com uma qualidade ruim da educação de modo geral: "De 1964 a 1985 houve vários momentos em que a rarefação de dinheiro na educação escolar e a maior colocação na área de defesa acabou desequilibrando tudo. Porque uma das coisas que compõem a defesa de uma nação não é só armamento e a necessária estrutura militar", analisou.

Cortella ressaltou, entretanto, que não se deve minimizar a importância da Defesa Nacional: "O confronto e a proteção internacional se dá de várias formas. E nós somos muitos frágeis em relação àquilo que seria o uso disso. Daí inclusive aquilo que as Forças Armadas, para ficar apenas em nível federal, fazem. Que é entrar em assistências humanitárias, em apoio comunitário, dado que, na necessidade do uso dessas forças, estamos mais fragilizados que outras nações".

Volta às aulas

Durante a entrevista, o filósofo analisou o retorno às aulas presenciais em todo país, paralisadas devido à pandemia do novo coronavírus. Para ele, prever uma volta ainda neste ano é equivocado.

"A decisão de voltar às aulas não é nítida ainda. Mas eu, se fosse decidir, não voltaria às atividades enquanto não se tivesse muita clareza em 2020. Isto é, colocaria como projeto 2021. Aquilo que é conteúdo se recupera de outros modos, desde que se dê atenção [...] Mas voltar agora com as aulas faria com que a gente arriscasse um pouco sem ter nitidez da solução", falou.

Cortella advertiu, no entanto, que as atividades educacionais não se restringem às aulas. O convívio social entre alunos, as merendas e a relação com professores, por exemplo, já podem ser pensados para uma volta gradual: "Tenho visto algumas soluções intermediárias. Alguns grupos, tanto em áreas de periferia como em camadas médias da população, em que se contrata alguém, ou se faz um acerto, para que essa pessoa, que já está examinada e toma todos os cuidados [quanto ao coronavírus] para ela brincar, ficar com um grupo de crianças, substituindo em parte aquilo que se tem na creche e na educação infantil", concluiu.