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Sonhar ser doutor é bom, mas Brasil não dá oportunidade, diz Milton Ribeiro

Ministro da Educação foi convocado a explicar declarações sobre a universidade e educação inclusiva à Comissão de Educação no Senado - Reprodução
Ministro da Educação foi convocado a explicar declarações sobre a universidade e educação inclusiva à Comissão de Educação no Senado Imagem: Reprodução

Ana Paula Bimbati

Do UOL, em São Paulo

16/09/2021 11h45Atualizada em 17/09/2021 01h03

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, voltou a defender nesta quinta-feira (16) o ensino técnico no Brasil justificando que "graduados não têm campo de trabalho". O chefe da pasta prestou explicações pela manhã à Comissão de Educação, no Senado, após dizer que a universidade "deveria ser para poucos" e que alunos com deficiência "atrapalham" o aprendizado dos demais.

Ele explicou que não quis dizer que "o filho do porteiro não pode ter acesso à universidade", mas que o país deveria avançar no curso técnico e profissional.

O sonho de ser doutor é muito bom, mas um país que não tem oportunidade, o curso técnico é a grande ferramenta
Milton Ribeiro, ministro da Educação

Ribeiro também usou sua história em escola pública e da sua família. "Eu não poderia ser o que eu sou. Meu pai não fez o 2º ano primário, então não tem cabimento dizer que estou sendo elitista", justificou.

Segundo dados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), em 2019, 21,3% dos brasileiros de 25 a 34 anos tinham ensino superior completo. A média dos países que fazem parte da OCDE é de 45%.

Não adianta, repito, apenas ter um diploma de bacharel na parede e estar desempregado. Hoje o mercado é comprador para educação técnica profissional, é isso que os presidentes da Fiesp dizem."
Milton Ribeiro, ministro da Educação

Além do ensino técnico, o ministro usou inadimplência do Fies (Financiamento Estudantil) para justificar sua fala considerada elitista. "O que me incomoda é o que o jovem se forma, alguns com a ilusão, que o fato de ele ter o diploma é suficiente para ter emprego. Ele tem o diploma, mas tem uma dívida em um banco. Não estou dizendo que o Fies é ruim, mas a gente precisa olhar."

Jogamos R$ 300 milhões no lixo, diz ministro sobre faltosos no Enem 2020

Ribeiro também comentou sobre a reabertura das inscrições do Enem. O edital do MEC previa que quem teve a isenção da taxa em 2020, mas faltou nos dias da prova, só teria novamente o benefício neste ano se conseguisse justificar a ausência. A regra mudou após decisão do STF no início do mês.

"Abrimos a oportunidade [em 2020] para muitos fazerem a prova gratuitamente, fizeram a inscrição e simplesmente não compareceram a prova", disse o ministro. Muitos participantes, porém, faltaram no exame por medo da contaminação da covid-19.

Ribeiro explicou que a abstenção, que foi recorde desde 2009, de 2,8 milhões de estudantes impactou em um prejuízo de R$ 300 milhões. "Com R$ 300 milhões dava para construir uma escola, hospital, tinha que ter essa responsabilidade", disse.

O ministro contou ainda que chegou a falar com o ministro Dias Toffoli, relator da ação no STF, que a pasta iria cumprir com a decisão. "Temos perto de 40, 45 mil inscrições, mas meu objetivo nunca foi tolher, estou querendo dar uma disciplina", justificou.

Ministro volta a se desculpar por fala sobre educação inclusiva

"Não tive a intenção de magoar, mas muitas vezes usamos termos e gestos que magoam", disse Ribeiro aos senadores hoje ao se explicar sobre sua declaração que alunos com deficiência "atrapalham" o aprendizado dos demais.

O ministro admitiu ainda que o tema "exige conhecimento" e que reconheceu o erro em suas falas, apesar disso, continuou a defender a PNEE (Política Nacional de Educação Especial).

"[A política é para] aqueles educandos, por favor, que demandam atendimentos múltiplos, contínuos e permanentes e foi sobre esses que havia me referido de uma maneira equivocada e fui mal compreendido", explicou.

A PNEE está sob análise do STF (Supremo Tribunal Federal). Em outubro de 2020, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) havia publicado decreto para que o governo federal, estados e municípios oferecessem "instituições de ensino planejadas para o atendimento educacional aos educandos da educação especial que não se beneficiam, em seu desenvolvimento, quando incluídos em escolas regulares inclusivas e que apresentam demanda por apoios múltiplos e contínuos".

Na prática, o texto pretendia retirar as crianças com deficiência das turmas regulares para que fizessem parte de turmas exclusivas para elas.