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Deputado: Ministro da Educação precisa explicar gestão temerária no Inep

Colaboração para o UOL

08/11/2021 18h55

Em entrevista ao UOL News, o presidente da Frente Parlamentar Mista da Educação, deputado federal Professor Israel Batista (PV-DF), afirmou que o ministro da Educação, Milton Ribeiro, também deverá ser convocado à Câmara dos Deputados para falar sobre o pedido de demissão em massa de servidores do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).

Mais cedo, parlamentares protocolaram um requerimento para convocar o presidente do Inep, Danilo Dupas, para dar explicações à Comissão da Educação da Casa sobre os acontecimentos dos últimos dias no órgão.

"Precisamos convidar tanto Danilo Dupas, quanto o ministro. É o que pretendemos fazer já na quarta-feira (10), entrar com pedido de convocação do ministro [Milton Ribeiro] para explicar essa gestão temerária que tem acontecido no Inep", disse Batista.

Hoje, 33 servidores do Inep pediram exoneração de seus cargos, dos quais 29 trabalham em áreas ligadas ao Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e 22 são coordenadores.

Segundo Batista, entre as principais reclamações dos servidores está a "fragilidade técnica" da administração do Inep.

"O Inep vem sendo administrado por pessoas que não têm conhecimento em educação. Essa é uma realidade que também se estende ao próprio Ministério da Educação", afirmou o deputado.

"Servidores altamente qualificados, treinado durante anos, são colocados em equipes subalternas, submetidos a pessoas que não têm a devida qualificação para conduzir um órgão como o Inep, que tem alta complexidade", completou.

Por isso, o parlamentar disse que a Frente de Educação quer discutir o assunto com Dupas, o ministro da Educação, representantes dos servidores e, também, dos estudantes.

"Essa é uma situação recorrente em diversos órgãos da pasta. A instabilidade do Ministério da Educação é um problema muito grande", disse.

Enem ameaçado

Para o deputado federal Professor Israel Batista (PV-DF), o Enem deste ano corre risco de não acontecer por causa de um processo que, segundo ele, já vem ocorrendo há muitos anos.

"A prova do Enem pode estar ameaçada. O Enem já vinha sofrendo um processo de desmonte ao longo dos anos e ele vem colecionando fracassos nos últimos tempos", afirmou.

Na avaliação do parlamentar, o Inep sofre um "ataque orquestrado" que tem como alvo instituições que coletam dados da população brasileira.

"Não é somente contra ele [Inep], mas contra todos os órgãos que produzem dados, dentre os quais estão o IBGE e INPE, por exemplo. Todos os órgãos que avaliam a prestação de serviços públicos pelo governo brasileiro estão sendo enfraquecidos, talvez, porque esses dados não sejam, nesse momento, adequados para o governo e possam causar certos constrangimentos."